sábado, 19 de outubro de 2013

Taxista sem autorização para trabalhar humilha passageiro deficiente

REVOLTANTE - Taxista sem autorização para trabalhar humilha passageiro deficiente e joga cadeira de rodas na rua

Sábado, 19 de Outubro de 2013 / 09:45 - Atualizado em Sábado, 19 de Outubro de 13 / 10:32

Um taxista da empresa Lig-Táxi, identificado inicialmente apenas pelo nome de “Edi”, é acusado por um casal de humilhar, constranger e difamar os passageiros na última quinta-feira (17) em Porto Velho. O militar reformado da Aeronáutica, Rafael Palheta Bezerra, 25 anos e a noiva, a administradora hospitalar Renata Bentes, contam que esta semana passaram pelos piores momentos de suas vidas e o motivo é porque o militar é cadeirante.

Vítima de uma tentativa de assalto em 2008, Rafael ficou paraplégico após ser atingido por um tiro durante a ação dos bandidos. A noiva, desde então, está sempre ao lado do companheiro e conta que não foi a primeira vez que eles passaram por uma situação humilhante, mas que com certeza, foi a pior.

“Nós ligamos para a Lig-Táxi e pedimos à atendente um táxi que transportasse deficiente físico. Essa senhora por sinal é sempre muito grosseira com a gente, extremamente intolerante e nos trata sempre muito mal. Já a denunciei várias vezes à empresa pela falta de educação como nos atende, acho que por isso não gosta de mim e do meu noivo”, conta a administradora.

Segundo Rafael, mesmo tendo pedido a atendente um carro que transportasse um cadeirante, o taxista que chegou para buscá-los ficou irritado ao perceber a condição de um dos passageiros.

“Quando ele me viu fez cara feia na hora. Como eu demoro um pouco pra entrar no carro ele já começou a reclamar, dizer que se soubesse que era “pra isso” ele não teria atendido a chamada, que já teria feito dez corridas, disse que "aleijado" e gente em supermercado ele não gostava de atender”, conta o militar reformado.

A noiva explica que quando entrou no carro percebeu que o motorista havia colocado o taxímetro na bandeira dois, mesmo não estando no horário.

“Eu questionei o motivo pra ele estar me cobrando bandeira dois se ainda não eram oito da noite. Ele foi bem arrogante quando me disse que pra transportar cadeirante ele cobra a mais e que já liga o taxímetro quando recebe a chamada, antes mesmo de chegar no destino. Foi aí que começou a discussão”, relata.

Segundo o casal, o taxista ficou irritado com os questionamentos e passou a humilhar a situação de deficiente físico de Rafael.

“Ele não respeitou nem minha sobrinha de três anos que estava com a gente no carro. Começou a falar barbaridades. Que aleijado é tudo sujo e que só presta pra “cagar e mijar” no carro dele e me acusou de já ter feito isso. Minha noiva pediu para que ele me respeitasse e ele continuou a nos humilhar, principalmente a mim. Foi quando não aguentei mais e pedi para parar o carro. Ele parou na hora, nos mandou descer aos gritos, tirou minha cadeira de rodas do porta malas e a arremessou na calçada. Minha sobrinha chorando, minha noiva nervosa, eu atônito com tudo aquilo, ainda dentro do carro tendo que esperar minha noiva montar a cadeira, me retirar de dentro sozinha e ele nos humilhando. Pessoas que estavam próximas viram tudo e vieram no ajudar ficaram indignadas com a conduta desse homem”, explica Rafael.

A noiva conta que Rafael não suportou a humilhação e começou a chorar muito, o que deixou a sobrinha ainda mais assustada. Segundo ela, uma viatura da Polícia Militar foi chamada e os integrantes da guarnição teriam ficado indignados com a atitude do taxista.

“Eles saíram atrás dele em seguida, foram muito atenciosos com a gente, quero muito agradecer ao Sargento Evandro e sua equipe. Uma pena não ter encontrado este homem, gente assim não pode estar nas ruas trabalhando com pessoas, causando esse tipo de situação humilhante. Meu noivo não levou um tiro porque era bandido não, ele estava trabalhando, não tem culpa e não pediu pra hoje estar em uma cadeira de rodas. Ele não precisa que tenham pena dele, ele só precisa do respeito das pessoas e de um pouco de tolerância diante de suas necessidades. Vamos processar esse homem por preconceito, danos morais, difamação e o que mais tivermos direito, vamos ao Ministério Público e também procurar a Associação dos Cadeirantes e iniciar um movimento para acabar com esse tipo de absurdo, de crime”, desabafa Renata.

SEMTRAN

O casal procurou a Secretaria Municipal de Transportes (Semtran) para denunciar a conduta do taxista, lá descobriram que o motorista não tem autorização para trabalhar na praça. Rafael e Renata foram informados ainda que o dono da placa será multado e que todas as providências serão tomadas.

“Quero deixar claro que não são todos os taxistas que agem dessa forma. Tenho muito respeito e gratidão por vários profissionais dessa mesma empresa que são muito atenciosos e entendem minha situação. Porém, vou até o fim pra garantir que isso nunca mais aconteça. E não vou lutar só por mim, pelo o que aconteceu comigo, vou lutar por todos que estão nas mesmas condições que eu e que merecem ser tratados com o mesmo respeito dado a quem não é deficiente físico. Vamos iniciar um movimento para colocar um fim ao preconceito”, promete o militar reformado.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Empresas de TI descobrem potencial dos autistas

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As empresas do setor de tecnologia da informação descobriram o enorme potencial de pessoas autistas, como o personagem imortalizado por Dustin Hoffman em "Rain Man" há 25 anos.

O fabricante alemão de software para empresas SAP decidiu em maio empregar nos próximos anos centenas de autistas para formá-las em testes de software e programação, e em setembro começou a seleção na cidade alemã de Walldorf.

 

A SAP já selecionou oito autistas para serem treinados nos próximos meses e que começarão a trabalhar em janeiro de 2014 na Alemanha.

Os autistas se destacam pela excepcional habilidade de buscar e reconhecer erros porque são pessoas muito perfeccionistas, ligadas em detalhes e podem ficar concentradas durante muitas horas.

Os autistas têm habilidades lógicas e analíticas muito desenvolvidas, assim como seriedade e tolerância zero aos erros.

A SAP quer que até 2020 1% dos 65 mil empregados da companhia sejam autistas, a mesma proporção de autistas em relação à população.

A diretora de Diversidade e Integração da empresa, Anka Wittenberg disse à Agência Efe que começaram em 2011 um projeto similar na Índia, onde trabalharam com autistas e comprovaram que o autismo e a tecnologia de informação se dão bem, especialmente em testes e controles de garantia de qualidade.

"Também nos demos conta que essa medida tem um efeito muito positivo em nossa cultura porque os autistas não entendem o sarcasmo, sempre dizem a verdade e se concentram muito bem em processos que se repetem", acrescentou Wittenberg.

Após o sucesso da experiência na Índia, a empresa decidiu fazer o mesmo na Irlanda em dezembro de 2012 e este ano no Canadá e nos Estados Unidos.

Dustin Hoffman foi o primeiro a falar do mundo dos autistas através do cinema ao protagonizar "Rain Man" em 1988, e, dez anos depois, Miko Hughes interpretou um autista em "Código Para o Inferno".

O autismo é um comportamento, qualificado como transtornos de espectro, que afeta de maneira e grau diferentes cada pessoa e é caracterizado por dificuldades na interação social e nas habilidades de comunicação.

A SAP trabalha com Specialisterne, uma iniciativa dinamarquesa cujo objetivo é integrar no mercado de trabalho um milhão de autistas que não são limitados intelectualmente.

A Specialisterne, fundada por Thorkil Sonne, pai de uma criança autista, oferece consultores em tecnologia da informação que têm um diagnóstico no espectro do autismo ou similares, como autismo, Síndrome de Asperger, TDA, TDAH ou Síndrome de Tourette.

Sonne ganhou o prêmio de empresário social em 2012 no Fórum Econômico de Davos.

Entre os clientes de Specialisterne estão Microsoft, Siemens, a empresa sueca de serviços financeiros Nordea e a empresa dinamarquesa de telecomunicações TDC.

A empresa berlinense Auticon é a primeira na Alemanha a empregar exclusivamente autistas como consultores no setor de tecnologia da informação.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Deficiente visual entra na universidade

 

Jorge Neris completou o ensino médio já adulto e conquistou uma vaga na Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Aos 36 anos, o baiano Jorge Neris foi diagnosticado com glaucoma. Era a primeira vez que ia ao oftalmologista. Jorge passou por diversos exames, um tratamento doloroso e uma cirurgia para tentar conter a pressão do olho, primeiro em um deles, depois nos dois, até que perdeu totalmente a visão em 2010, pouco depois de ter retornado à sala de aula para completar o ensino médio.

O diagnóstico não o impediu de seguir os estudos, e três anos depois, passou no vestibular. A boa notícia chegou agora em setembro, com a lista de aprovados em primeira chamada para o segundo semestre de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Assim que apareceram os primeiros sintomas da doença, Jorge procurou o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP/SSA) de Salvador, por meio da Associação Baiana de Cegos (ABC). Foi no centro que decidiu voltar a estudar. De família humilde - a mãe não se alfabetizou -, Jorge deixou a escola aos 20 anos, em 1980, quando cursava o 1º ano do ensino básico, que corresponde atualmente ao 1º do ensino médio. “Sempre foi o sonho de minha mãe que eu continuasse estudando. Com o incentivo do pessoal do CAP, resolvi que tentaria realizar o sonho em memória dela, já falecida”, conta.

Na época da decisão, Jorge tinha deficiência visual parcial. No CAP, aprendeu o sistema de leitura braile, a caminhar usando a bengala e até o Soroban, técnica de cálculo que utiliza esferas.

Passados 25 anos desde que deixou a escola, e determinado a concluir os estudos, ele ingressou no curso gratuito de Educação de Jovens e Adultos do Colégio Antônio Vieira (Ejacav), na fase correspondente à 7ª série do ensino fundamental regular. Foi em meio a esse processo, em 2010, que ficou cego. Mas continuou firme na busca do sonho pela vaga na universidade. “Quando perdi totalmente a visão, foi fundamental o apoio de professores e colegas. Muitas vezes, colegas me esperavam no ponto de ônibus para ajudar, quando marcávamos grupos de estudos aos finais de semana”, lembra.

Jorge recorda com muito carinho os anos de estudo no Colégio Antônio Vieira. Na comemoração dos 100 anos da instituição, foi convidado a representar todos os alunos do EJACAV. “Percebi que todos os colegas eram exemplos de superação, cada um com sua história, o que se transformou em um ótimo incentivo para que eu nunca desistisse”, completa.

Paizão da turma

Após completar o ensino médio, não quis encerrar a busca por conhecimento e passou a frequentar o cursinho Pré-Vestibular Social da ONG Pierre Bourdieu. Na turma, adolescentes que partilhavam do mesmo sonho: entrar para a universidade. A diferença de idade e a deficiência de Jorge o fizeram sentir deslocado no início, mas logo a receptividade dos novos colegas fizeram sentir-se à vontade. “Quando percebi o respeito com que aqueles adolescentes me tratavam e o quanto queriam me ajudar, acabei virando o paizão da turma. Ao passar no vestibular, alguns prometeram me encontrar na universidade. Como poderia desistir depois dessa promessa?”, conta orgulhoso.

Quanto à escolha do curso, o estudante diz que foi no Ejacav que sua paixão pela área começou, em trabalhos feitos para a aula de sociologia. Aprender sobre o contexto histórico da sociedade e o desenvolvimento e comportamento da sociedade como um todo o fascina. “As relações sociais sempre me ajudaram e são importantíssimas para minha inserção no mundo acadêmico. Quero aumentar meu conhecimento nessa área”, diz o calouro.

O desafio do braile

A leitura braile é uma ferramenta importante na viabilização dos estudos a deficientes visuais. Cerca de 170 vezes mais lenta do que a leitura regular, demanda uma concentração grande. O estudante admite que se saía melhor quando liam para ele. “O braile foi, para mim, o início de tudo. Se não fosse ele, eu não teria a perspectiva de entrar nos meios escolar e acadêmico. Mas como é preciso uma concentração maior, eu assimilava melhor os conteúdos quando os escutava”, conta.

Atualmente, com o avanço da tecnologia, os estudos para deficientes visuais ficaram mais rápidos e fáceis, especialmente com a ajuda da plataforma NDVA (Non-visual Desktop Access), que possibilita a leitura de tela para cegos.

Adaptação

Para Jorge, a ajuda de colegas e professores foi essencial para sua reinserção na escola. “No dia a dia, preciso da ajuda das pessoas o tempo inteiro. Para atravessar a rua, para pegar um ônibus. Não é diferente na hora de estudar. Os grupos de estudo com meus colegas eram essenciais para que eu entendesse melhor a matéria”, conta.

O processo de adaptação à sua nova condição começou quando ainda possuía baixa visão, o que facilitou sua aceitação. Com a perda total da visão, sua maior dificuldade, conta, foi a utilização da bengala, pois tinha vergonha dos vizinhos o verem com ela. “Ralei muito a canela para aprender a usar a bengala. Tinha um pouco de resistência, mas precisei vencer essa barreira para ganhar mais independência na mobilidade, para não perder as atividades do CAP.”

Jorge vê os estudos como uma alavanca para que o deficiente visual se adapte à nova realidade com maior facilidade. “A melhor forma de conquistar objetivos é através dos estudos. A ciência avança surpreendentemente, mas precisa que alguém estude. Podemos descobrir instrumentos que facilitem a vida de deficientes visuais”, sonha. Determinado, Jorge combate a ideia de que a inclusão seja apenas uma forma assistencial de reinserção. Afirma que o deficiente tem de estar no meio acadêmico por querer adquirir o conhecimento com esforço e capacidade, não só porque é deficiente.

Preconceito

Jorge acredita que não existe preconceito pior do que o do próprio deficiente visual. “Quando o deficiente acredita que não pode levar uma vida normal, ele perde o estímulo. Esse preconceito é o primeiro que deve ser combatido. Independentemente de ser cego, sou vivo. Posso viver, posso estudar. Como homem e cidadão, contribuo para o desenvolvimento do país no qual nasci”, afirma.

Garante que prestou a prova como qualquer outro aluno. A única diferença é que tinha direito a um ledor, pessoa que lia a prova para que ele respondesse. Jorge faz questão de ressaltar que respondeu à mesma prova dos outros candidatos. A transcrição das respostas é feita exatamente como o candidato as fala. Se os acentos ou pontuação não forem falados, o ledor não os transcreve.

Para Jorge, ainda faltam cuidado e sensibilidade com os cegos de boa parte da sociedade. “Às vezes me pergunto se eu que estou cego ou as pessoas em geral. Uma vez estava subindo em um ônibus com a bengala e um moço me atropelou, quebrou minha bengala e nem sequer pediu desculpas. Por outro lado, já encontrei pessoas maravilhosas que chegavam a atravessar a rua para me ajudar”, cita.

Ávido de conhecimento, o novo universitário baiano não contém a alegria e ansiedade para que se iniciem logo as aulas. “Os desafios estão aí para ser encarados e superados. Terei de acordar às 4 da manhã para conseguir chegar na faculdade no horário da aula. Mas não me sinto no direito de desistir, pois muita gente não consegue chegar onde cheguei”.

Fonte: Terra

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Palestra Língua Brasileira de Sinais

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Aprenda a se declarar doador de órgãos no Facebook

Bianca Bellucci
Do UOL, em São Paulo

02/10/201306h00

Ser doador de órgãos é um gesto considerado nobre. E o Facebook permite que você divulgue a seus amigos essa escolha – a informação pode ser útil e ajudar a salvar vidas, caso algo aconteça com você. Saiba como publicar em sua linha do tempo essa decisão.

Se você tiver alguma dúvida ou quiser dar alguma dica sobre Facebook, envie um e-mail para uoltecnologia@uol.com.br, que ele pode ser publicado.

1. Entre em seu perfil e, no topo da sua linha do tempo, clique em "Evento cotidiano".

2. Várias opções abrirão. Selecione "Saúde e bem-estar".

3. No novo menu, clique em "Doador de órgãos".

4. Preencha os campos com as informações necessárias e clique em "Salvar".

5. O evento será adicionado à sua linha do tempo e aparecerá para seus amigos.

 

Vítimas da dependência digital

Com a explosão dos smartphones, cerca de 10% dos brasileiros já são viciados digitais. A medicina aprofunda o estudo do transtorno e anuncia o surgimento de novas opções de tratamento, como a primeira clínica de reabilitação especializada

Monique Oliveira

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"Eu literalmente não sabia o que fazer comigo”, disse um estudante do Reino Unido. “Fiquei me coçando como um viciado porque não podia usar o celular”, contou um americano. “Me senti morto”, desabafou um jovem da Argentina. Esses são alguns dos relatos entre os mil que foram colhidos por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Eles queriam saber o que sentiam jovens espalhados por dez países, nos cinco continentes, depois de passarem 24 horas longe do computador, dos smartphones e tablets. As descrições, como se viu, são assombrosas. E representam exatamente como sofrem os portadores de um transtorno preocupante que tem avançado pelo mundo: o IAD (Internet Addiction Disorder), sigla em inglês para distúrbio da dependência em internet. Na verdade, o que os entrevistados manifestaram são sintomas de abstinência, no mesmo grau dos apresentados por quem é dependente de drogas ou de jogo, por exemplo, quando privado do objeto de sua compulsão.

Estima-se que 10% dos brasileiros enfrentem o problema. Esse número pode ser ainda maior dada a velocidade com que a internet chega aos lares nacionais. Segundo pesquisa da Navegg, empresa de análises de audiências online, o Brasil registrou o número recorde de 105 milhões de pessoas conectadas no primeiro trimestre deste ano. Dados da Serasa Experian mostram que o brasileiro passa mais tempo no YouTube, no Twitter e no Facebook do que os internautas do Reino Unido e dos EUA. A atividade na rede é impulsionada pela explosão dos smartphones. De acordo com a consultoria Internet Data Corporation, esses aparelhos correspondiam a 41% (5,5 milhões) dos celulares vendidos em março. Em abril, o índice pulou para 49% (5,8 milhões).

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Tantas pessoas usando esses aparelhos está levando ao surgimento de um fenômeno que começa a chamar a atenção dos estudiosos. Trata-se do vício específico em celular e da nomofobia, nome dado ao mal-estar ou ansiedade apresentados por indivíduos quando não estão com seus celulares. No livro “Vivendo Esse Mundo Digital”, do psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas, do Hospital das Clínicas de São Paulo, há uma das primeiras referências ao tema. Nele, estão descritas as consequências dessa dependência. “Os usuários estão se distraindo com facilidade e têm dificuldade de controlar o tempo gasto com o aparelho”, escreveu o especialista. A obra também pontua os sintomas da dependência. O que assusta é que eles são muito parecidos com os manifestados por dependentes de drogas. Um exemplo: quando não está com seu smartphone na mão, o usuário fica irritado, ansioso (leia mais no quadro na pág.67).
No futuro, a adesão aos óculos inteligentes, à venda a partir de 2014, poderá elevar ainda mais o número de dependentes. Esses aparelhos são, na verdade, um computador colocado no campo de visão. Empresas como o Google, por meio de seu Google Glass, apostam alto nessa tecnologia.

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Como todas as dependências descritas pela psiquiatria, a digital não é facilmente reconhecida. Mas, da mesma forma que as outras, pode ser diagnosticada a partir de um critério claro. Ela está instalada quando o indivíduo começa a sofrer prejuízos na sua vida pessoal, social ou profissional por causa do uso excessivo do meio digital. Na vida real, isso significa, por exemplo, brigar com o parceiro/a porque quer ficar online mesmo com a insatisfação do companheiro/a ou cair de produção no trabalho porque não se concentra na tarefa que lhe foi delegada.
A gravidade do problema está levando a uma mobilização mundial em busca de soluções. Uma das frentes – a do reconhecimento médico do transtorno – está em franca discussão. Recentemente, a dependência foi um dos temas que envolveram a publicação da nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicação da Associação Americana de Psiquiatria adotada como guia para o diagnóstico das doenças mentais. Na edição final, o vício, não citado em edições anteriores, foi mencionado como um transtorno em ascensão que exige a realização de mais estudos. Muitos especialistas criticaram o manual porque acreditam já ser o distúrbio uma doença com critérios diagnósticos definidos.

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Uma das vozes a defender essa posição é a psiquiatra americana Kimberley Young, reconhecida autoridade na área e responsável, agora, por dirigir uma experiência mundial inédita: a primeira rehab digital, aberta no mês passado. O centro de reabilitação fica na Pensilvânia, como um anexo do Centro Médico Regional de Bradford. O modelo é igual ao de programas de reabilitação de drogas. No local, o indivíduo passará por uma internação de dez dias. O tratamento terá como base a terapia cognitivo-comportamental, cujo objetivo é substituir hábitos nocivos por outros saudáveis, além de sessões em grupo, individuais e intervenção medicamentosa consensual, se necessária, em situações extremas. “Há uma crescente demanda para esse tipo de serviço”, disse Kimberley à ISTOÉ.
Em países como Japão, China e Coreia do Sul, a dependência já é tratada como questão de saúde pública. Programas desses governos foram criados na tentativa de mitigar o problema. O Ministério da Educação japonês lançou um projeto que atenderá 500 mil adolescentes. Além de psicoterapia, a iniciativa definirá áreas ao ar livre nas quais os jovens serão exortados ao convívio social por meio da prática de esportes, com uso restrito às mídias digitais. Na China, o programa é militarizado, o que desperta críticas no Ocidente. “É um tratamento militar, com total restrição à mídia”, diz Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Psicologia em Informática da PUC-SP, serviço que atende os dependentes por meio de orientações transmitidas por e-mail. Na Coreia do Sul, onde cerca de 30% dos adolescentes são viciados, os jovens passam 12 dias internados.

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No Brasil, a assistência aos dependentes é feita em serviços vinculados a universidades (leia quadro abaixo). O tratamento se baseia em terapia, intervenção familiar e remédios, se necessário. “Damos atendimento de acordo com o caso”, explica Dartiu Xavier, diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes, da Universidade Federal de São Paulo.
Em Israel, cientistas da Universidade de Tel-Aviv criaram uma terapia de exposição gradual às mídias digitais. É uma tentativa de ajudar o indivíduo a treinar o autocontrole até o ponto no qual seja capaz de acessar a rede e dela sair depois de um tempo curto. A instituição foi uma das primeiras a considerar o vício um transtorno vinculado ao transtorno do impulso, dando uma dimensão da gravidade dos casos. “Essa dependência é um transtorno grave similar aos que vemos, como a obsessão por lavar as mãos”, diz o psiquiatra Pinhas Dannon, da Universidade de Tel-Aviv.
Outro recurso são os aplicativos que controlam a intensidade da navegação na web. É possível bloquear sites como o Facebook por meio de programas (plug-ins) instalados em navegadores como Internet Explorer e Chrome, ou impedir o uso da internet 3G no celular. Também se pode lançar mão de aplicativos como o “AppProtector”, que não permite o uso de aplicativos e de jogos em tablets e celulares.
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Nos laboratórios, os cientistas tentam conhecer melhor as causas e repercussões do transtorno. Algumas certezas estão colocadas. “A humanidade está condenada a ficar presa em um modelo de interrupções mentais frequentes e sem se aprofundar em nada”, diz o psicólogo Cristiano de Abreu. Para Peter Whybrow, da Universidade da Califórnia, a internet induz a ciclos de mania, seguidos por ciclos de depressão. “O computador é como a cocaína”, disse à ISTOÉ. “O abuso leva à compulsão.” De fato, pesquisas mostram que o vício digital aciona o sistema cerebral de recompensa, o mesmo estimulado pelas drogas. Quanto mais se cede à compulsão, mais sensação de prazer o cérebro produz. E isso vai até um ponto no qual a pessoa não consegue mais ficar sem essa sensação, tornando-se dependente de seu foco de compulsão.
Também é sabido que adolescentes que apresentem déficit de atenção, fobia social e depressão estão mais propensos a desenvolver o vício. Pesqui­­­sadores da Universidade de Kaohsiung, Taiwan, ana­lisaram a relação entre esses trans­tornos em cerca de 2,3 mil adolescentes. Cerca de 10% dos adolescentes eram dependentes, e todos apresentavam sinais de algum dos transtornos associados (o de déficit de atenção foi o mais prevalente).
Na Alemanha, pesquisadores da Universidade de Bonn descobriram que os dependentes apresentam uma variação genética já identificada naqueles com propensão ao vício da nicotina. “Essa alteração eleva a probabilidade de comportamentos compulsivos”, diz Christian Montag, um dos autores da pesquisa.

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DOENÇAS DIGITAIS
Mônica Tarantino
Mais crianças e adolescentes estão sofrendo de dores nas costas e no pescoço por culpa do excesso de horas manuseando consoles de videogames ou jogando em tablets e celulares. A constatação é de cientistas holandeses liderados pelo cirurgião ortopédico Piet van Loon. Em artigo escrito para a principal revista médica da Holanda, a “Medisch Contact”, Van Loon adverte que o vício postural pode originar dores persistentes de coluna, hérnias de disco e alterações como a hipercifose (curvatura anormal para a frente na região do tórax). “Ficar sentado muito tempo em posição errada comprime as cartilagens e discos vertebrais. Pais e escolas precisam ficar atentos”, disse ele à ISTOÉ.

O problema se agrava se for aliado ao sedentarismo. “A prática de esportes e exercícios ajuda a restaurar a boa postura e a prevenir problemas crônicos”, diz o médico Miguel Akkari, membro do Comitê de Ortopedia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Porém, se forem usadas de modo exagerado, versões de games que simulam exercícios e esportes, a exemplo do Wii Fit, Xbox Kinect ou Playstation Move, também podem causar danos. “Há casos de tendinite em pernas e braços por exagero nos gestos em jogos virtuais que dispensam o console e o movimento do jogador é o que comanda a ação”, relata o médico Akkari. Foi o que aconteceu à sua filha Gabriela, 10 anos, que teve mais restrito o acesso aos jogos. “Precisei limitar a uma hora nos fins de semana o uso de plataformas para simular jogos e dança por causa de dores nos joelhos”, diz o especialista.

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Um estudo feito pela Universidade de Nova York (EUA) já havia alertado para os riscos das diversões eletrônicas em função dos gestos repetitivos que impõem. A comparação entre 257 estudantes com idades entre 9 e 15 anos mostrou que as dores no punho e nos polegares provocadas pelos videogames eram maiores do que os sintomas de quem digitava em smartphones. Observou-se também que as meninas sentiam duas vezes mais dores do que os meninos por causa do envio de mensagens de celular.

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Fonte: Miguel Akkari, do Comitê do Ortopedia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Fonte: Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
fotos: Gabriel Chiarastelli; divulgação
fotos: Rafael Hupsel/ag. istoé; Pedro Dias/ag. istoé
Fontes: Kimberley Young (Centro Médico Regional de Bradford) e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo
foto: Vinicius Yamada

Adaptar carro à necessidade do motorista pode "zerar" desconto

Renata Turbiani
Colaboração para o UOL

 

  • Na Cavenaghi, o barato e o caro: acionamento manual do freio e solução de transporte para cadeirante

    Na Cavenaghi, o barato e o caro: acionamento manual do freio e solução de transporte para cadeirante

Em muitos casos, apenas um câmbio automático não é suficiente para que os portadores de deficiência possam dirigir com segurança. É aí que entram as adaptações, feitas por diversas empresas especializadas neste tipo de serviço. O custo delas pode igualar, ou até superar, o desconto obtido na compra do veículo devido às isenções fiscais.

Uma das mais conhecidas é a Cavenaghi, que tem 40 revendas autorizadas espalhadas pelo país. A rede oferece soluções para os mais diversos problemas, garante Raul Oliveira, gerente comercial. "Temos desde os equipamentos mais simples, como inversor de pedal e freio e acelerador manual, até os mais complexos, como um sistema para quem só dirige com os pés", explica.

Na Cavenaghi, o valor das adaptações parte de R$ 300 e pode ultrapassar os R$ 40 mil. "Tudo vai depender do tipo de deficiência do cliente e do que for especificado pelos médicos e pelos órgãos de trânsito para que ele possa conduzir o automóvel", diz Oliveira.

Segundo o gerente comercial, mesmo com as modificações o automóvel não perde a garantia de fábrica. A empresa é parceira das montadoras, e as adaptações não interferem no funcionamento usual do modelo.

Outra companhia que trabalha com adaptações de veículos é a Technobras, ligada ao grupo italiano GuidoSimplex , mas ela apenas revende os produtos, sem instalação. É o caso de uma central de comandos que permite que ao motorista deficiente dirigir com apenas um braço e acionar itens (buzina, setas, faróis) teclando os botões correspondentes sem tirar as mãos do volante (preço sob consulta).

As duas empresas também oferecem equipamentos que facilitam o transporte de cadeirantes. Entre eles, as plataformas elevatórias e as rampas de acesso. De acordo com Marcela Raíssa Andrade Resende, gerente administrativa da Technobras, o valor fica entre R$ 31 mil e R$ 35 mil. Nos dois casos citados na reportagem sobre isenções para deficientes, este preço supera, e muito, o desconto obtido.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Deficiente ainda encontra dificuldade para entrar no mercado

Desde 1991, a lei determina que empresas com mais de 100 funcionários devem destinar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência

Yara Aquino, da

Mão na cadeira de rodas

A qualificação adequada não é o principal entrave para a contratação de pessoas com deficiência

Brasília – Na data em que se promove o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, a avaliação é que há desafios a serem enfrentados para garantir o acesso dos deficientes ao mercado de trabalho. De acordo com o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), Antônio José Ferreira, nem 50% das vagas de trabalho que deveriam estar ocupadas por deficientes, de acordo com a Lei 8.213 de julho de 1991, estão preenchidas.

 

Desde 1991, a lei determina que empresas com mais de 100 funcionários devem destinar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Em 2011, um total de 325,3 mil pessoas com deficiência tinham vínculo empregatício, de acordo com a última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho. O número seria 700 mil se a lei fosse integralmente cumprida, de acordo com o presidente do Conade.

“Com a lei de cotas, temos conseguido que as pessoas com deficiência tenham participação no mercado de trabalho, mas a participação é tímida. Se tivéssemos todas as vagas ocupadas seriam 700 mil pessoas com deficiência empregadas e ainda são 325 mil. Temos mais vagas disponíveis do que pessoas com deficiência no mercado de trabalho”.

A renda média das pessoas com deficiência foi R$ 1.891,16 em 2011, de acordo com os dados da Rais. A maioria dos empregados tem ensino médio completo – são 136 mil. Os homens predominam.

A qualificação adequada não é o principal entrave para a contratação de pessoas com deficiência, na avaliação de Antônio José. “Isso se dá não apenas pela questão da capacitação. Isso se dá pelo desconhecimento que o empresário tem do que pode fazer uma pessoa com deficiência”, disse.

As ações para capacitação dos deficientes vem ganhando força. Com o lançamento do Programa Viver sem Limites pelo governo federal, em 2011, foram destinadas 150 mil vagas do Programa Nacional do Ensino Técnico às pessoas com deficiência. Nos últimos seis anos, o Senai formou 78,3 mil deficientes. Em 2007, foram 10 mil matrículas e, em 2012, chegou a 17 mil matrículas.

O presidente do Conade avalia que o cumprimento das leis que garantem direitos aos deficientes, seja em áreas com educação, acessibilidade e trabalho tem avançado. Ele observa, no entanto, que é preciso criar uma cultura de inclusão na sociedade brasileira. “No caso das pessoas com deficiência não temos leis que sejam punitivas, então, temos que fazer sensibilização, campanhas”, disse.

De acordo com dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 45,6 milhões de pessoas com pelo menos um tipo de deficiência, o que representa 23,92% da população.

GCM de S.Caetano entrega cão-guia a deficiente visual

Drielly Gaspar
Especial para o Diário

Rafael Levi - DGABC

A GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano entregou na sexta-feira Otto, cachorro de três anos da raça Golden Retriver, ao estudante de música Luiz Henrique Kichel, 22 anos, que é deficiente visual, Otto é agora seu cão-guia e assume a responsabilidade de ser os olhos do rapaz e acompanhá-lo onde quer que ele vá. Mas, para que isso acontecesse, a estrada foi longa.

Kichel nasceu prematuro e, por falta de um equipamento na estufa do hospital, teve oxigenação nas retinas e os vasos dos olhos foram descolados. Ficou cego aos 16 anos. Desde então, começou a usar a bengala especial para andar pelas ruas.

A busca por um animal habilitado começou há três anos, mas a disputa foi acirrada. “Estava, até então, em filas de diferentes instituições, mas existem mais de 2.000 pessoas em busca de cão-guia. No Brasil, formam-se apenas dez por ano. Sabia que seria demorado.” Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o País tem 1,4 milhão de cegos.

O guarda-civil Rogério Bauner Gentil, um dos responsáveis pelo adestramento de Otto, explica que, apesar da alta procura e do pequeno número de cães-guia, nem todos podem ter o auxílio. “Além de estar cadastrado em alguma associação, o primeiro pré-requisito é o deficiente ter mobilidade com a bengala e ser independente. O cachorro também é avaliado e o ideal é que seja curioso, que goste de atividades, tenha ímpeto e coragem”, afirma Bauner.

Além da primeira seleção, o cão e o futuro dono passam por treinamento juntos. “O animal aprende desde colocar a guia assim que o dono o chama até a desobedecer a comandos que tragam risco ao deficiente. E o dono precisa acompanhar algumas coisas para se familiarizar com o cão e saber como se portar diante dele.”

Por mais que Kichel seja independente, a entrada de um cão-guia em sua vida trará muitas mudanças. “Moro sozinho e faço praticamente tudo sem ajuda. Mas o Otto vai me proporcionar autonomia e mobilidade maiores e locomoção com muito mais facilidade, agilidade e segurança. Fazia muito tempo que eu andava na rua com a bengala e topava com uma árvore a cada 100 ou 200 metros. O cachorro vai evitar que esse tipo de coisa aconteça.”

Apesar da conquista, o músico lamenta o fato de o Brasil ainda não estar adaptado à cultura do cão-guia. Para Kichel, isso se dá por causa da falta conhecimento. “A população tem que entender por que precisamos dele, como funciona o trabalho e também como se portar diante de um cachorro como esse. Sei que muitos olham por causa da curiosidade, mas ainda falta muito a ensinar.”

Agora que o cão-guia foi entregue ao dono, ambos seguem para Santa Catarina para apresentar Otto à família e poder treinar um pouco em um ambiente em que Kichel é familiarizado. Presente na entrega, o Secretário de Segurança da cidade, o coronel da reserva da Polícia Militar José Quesada, afirmou que o canil de São Caetano aguarda a chegada de novos cães para que sejam treinados e oferecidos a outras pessoas que necessitarem.

Em MS, deficiente auditivo supera obstáculos para conseguir emprego

De acordo com a Funsat, 300 deficientes auditivos estão empregados.
Empresas com mais de 100 funcionários devem destinar vagas a surdos.

Do G1 MS

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Uma lei garante que empresas com mais de 100 funcionários destinem um percentual de 2 a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Nesta semana, em que é comemorado o dia nacional do surdo, a reportagem do Bom Dia MS mostra como os surdos enfrentam obstáculos no mercado de trabalho e de que maneira eles superam os desafios.

Neide Severina é uma das funcionárias mais antigas de uma editora em Campo Grande. Ela é surda e começou a trabalhar no local há 27 anos, quando ainda não existia a lei que garantia vaga para pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Zaqueu Ribeiro Braz é o responsável pelo setor onde Neide trabalha. Ao longo dos anos, ele percebeu a necessidade de aprender a linguagem de sinais para poder compreender a colega. “Eles não têm audição mas ficam com a visão e o tato bastante apurados, e a gente percebe o quanto eles são eficientes”, conta Zaqueu.

De acordo com a Fundação Social do Trabalho (Funsat), em Campo Grande existem 1,2 mil pessoas com 100% de deficiência auditiva, e desse total, cerca de 300 estão empregadas. Em todo estado, são mais de 100 mil deficientes auditivos. Segundo a coordenadora de promoção ao trabalho da pessoa com deficiência, Eliene Rodrigues de Souza, apesar da lei, há desafios a serem superados. "O que falta ainda é desmitificar a incapacidade da pessoa por conta da não acessibilidade de comunicação. O surdo tem capacidade intelectual fantástica, o que falta realmente é acreditar no potencial desse trabalhador", explica Eliene.

Deficiente leva meses para obter desconto em carro, mas valor compensa

Renata Turbiani
Colaboração para o UOL

Em 2011, depois de enfrentar o lúpus (doença autoimune) por vários anos, a aposentada Márcia Maria Cestari, 44 anos, decidiu voltar a dirigir. Por conta das sequelas provocadas pela enfermidade, que incluem perda de parte dos movimentos dos pés, das pernas e das mãos, ela conseguiu comprar um Volkswagen Fox com isenção total de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

  • Renata Turbiani/UOL

    Só estacionar em vaga especial não resolve: pessoas com deficiência têm direito a abatimentos no preço de carros, mas o caminho para chegar a eles é longo

Segundo a motorista, moradora de São Bernardo do Campo (SP), devido à dispensa no pagamento dos tributos o veículo, que custaria cerca de R$ 50 mil na época já com os opcionais incluídos, saiu por menos de R$ 37 mil (cerca de 26% de desconto).
Os benefícios concedidos a Márcia, além de praticamente indispensáveis devido aos custos de adaptação posterior do veículo, não são privilégio dela.
No Brasil, desde 24 de fevereiro de 1995, com a entrada em vigor da lei 8.989 (vigência prevista até 31 de dezembro de 2014), portadores de deficiência física, ainda que menores de 18 anos, têm o direito de adquirir diretamente ou por intermédio de seu representante legal veículos sem a cobrança do IPI. Em 2003, o auxílio também passou a valer para pessoas com deficiência visual, mental severa ou profunda e autistas.
A isenção do ICMS veio mais tarde, em 2007, e por enquanto pode ser solicitada até 31 de dezembro deste ano – provavelmente haverá prorrogação. A Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com validade indeterminada, já concedia a isenção de IOF (Imposto sobre Operação de Crédito, Câmbio e Seguro). Em muitos Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná, os portadores de deficiência contam ainda com outra desobrigação, a do pagamento do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Na capital paulista o benefício é concedido desde 2008 e não tem prazo para ser encerrado.
PACIÊNCIA
O processo para obtenção das isenções é bastante demorado (pode passar de seis meses) e cheio de exigências. De acordo com Thayse Kessuane Gil Moreira, analista de documentos do Lyon Despachantes, filiada à Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (Abridef), o primeiro passo é pedir ao médico um laudo com a CID (Classificação Internacional de Doenças) da enfermidade e as restrições provocadas por ela.

APOIO AO CLIENTE ESPECIAL
  • Renata Turbiani/UOL

    A Fiat, com o Autonomy, e a Honda, com o Conduz, são duas das várias montadoras que têm programas e treinamento específicos para atentimento a deficientes (leia no box)

Em seguida, se o próprio solicitante for o condutor, ele tem de procurar uma autoescola especializada para obter a troca da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mas a mesma só será emitida após a realização dos exames médico, psicotécnico e prático. "Na nova carta deverão constar todas as condições necessárias para a direção e também as relacionadas às adaptações do veículo. Por exemplo, se o motorista só puder pilotar carros automáticos, essa informação irá aparecerá lá", explica Thayse.

MONTADORAS AJUDAM

Para conseguir as isenções, o solicitante pode fazer todo o processo sozinho, procurando o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e os postos locais da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda, ou então contratar os serviços de um despachante. As próprias montadoras podem ser boas conselheiras neste processo.

Atualmente, muitas oferecem programas que orientam os portadores de deficiência a conseguir os benefícios. A Honda, por exemplo, oferece o Conduz.

Segundo Ricardo Rodrigues da Silva, supervisor de vendas especiais da marca, o serviço foi criado em 1997 e inclui o treinamento das equipes de vendas, orientações com relação à obtenção das isenções e informações detalhadas sobre a preservação da garantia oferecida. "Mais de 57 mil veículos já foram vendidos nos 16 anos do programa", conta.

Outra fabricante que investe no auxílio aos deficientes para escolher o carro adequado e solicitar isenções fiscais é a Fiat. "O Autonomy nasceu em 1994, na Itália, e chegou ao Brasil dois anos depois", explica Ricardo Francisco de Souza, supervisor de vendas diretas do programa. E ele acrescenta: "Por mês vendemos 600 unidades".

Além de atendimento diferenciado, a montadora oferece descontos no valor final do carro (que pode chegar a 5%), certificação das empresas adaptadoras, um ano de garantia adicional e assistência estendida. Volkswagen, Renault, Peugeot e Toyota também têm programas de assistência aos portadores de deficiência. Devido a preço e origem, nem todos os modelos podem receber isenções: o ideal é consultar a marca de preferência e conhecer as opções.

A próxima etapa é requerer junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), ou nas clínicas credenciadas, o Laudo para Condutor. Nele, o médico indicado atestará o tipo de deficiência, a eventual incapacidade física para dirigir veículos com câmbio manual, e indicará o tipo de carro ideal, com suas características e adaptações necessárias. Caso o pleiteante não seja o condutor do veículo, no laudo deverá constar apenas o código CID e o grau de deficiência física ou visual.
FEDERAL, ESTADUAL
Com tudo isso em mãos, o solicitante deve ir até a Receita Federal, responsável pela concessão da isenção de IPI e IOF, e apresentar uma série de documentos, como declaração de disponibilidade financeira ou patrimonial, cópia da CNH, do RG e do CPF e prova de contribuição ao INSS (holerite ou extrato da aposentadoria são algumas aceitas), além dos formulários de pedido de dispensa do pagamento dos impostos fornecidos pela própria Receita Federal.
Francisco José Branco Pessoa, coordenador estratégico da Equipe de Isenção de IPI e IOF no Estado de São Paulo (8ª Região Fiscal) da Receita Federal, diz que o tempo para a obtenção das autorizações varia em todo o Brasil. "Na capital paulista a análise é feita por uma equipe regional de especialistas, constituída em julho de 2012, e, atualmente, o tempo médio de espera é de 40 dias", relata.
Após essa primeira liberação, o postulante tem 180 dias para procurar a Secretaria da Fazenda e pedir o benefício do ICMS. Entre os documentos exigidos estão os mesmos determinados pela Receita Federal, o que inclui os laudos médicos, além de declaração da concessionária onde será feita a compra do automóvel, comprovante de residência, extrato bancário, requerimento fornecido pelo órgão e autorização expedida pela Receita para aquisição do veículo com isenção do IPI e do IOF. Se deferido, o que normalmente ocorre em 30 dias, será dada a licença, também válida por 180 dias a partir da data de emissão.
Já a petição da isenção do IPVA só é feita após a aquisição do carro. O prazo para a solicitação, também junto à Secretaria da Fazenda, é de até 30 dias da data do documento fiscal. Para isso, deve-se apresentar todos os documentos anteriores e mais cópia da nota fiscal ou do Danfe (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) e declaração de que não possui outro veículo com o benefício.
As isenções de IPI e ICMS valem para automóveis de passageiros ou de uso misto, fabricados no Brasil ou nos países do Mercosul, e com preço até R$ 70 mil. Elas podem ser solicitadas a cada dois anos, tanto pelo condutor quanto por seu representante legal. Caso o portador da deficiência não seja o condutor do carro, este será dirigido por motorista autorizado pelo requerente (podem ser indicadas até três pessoas). Para o IPI, as alíquotas mudam de acordo com o tipo de veículo a ser adquirido e, até 31 de dezembro deste ano, vão de 2% (carro 1.0) a 25% (carro a gasolina acima de 2 litros).

PÉS PELAS MÃOS
  • Renata Turbiani/UOL

    Itamar Garcia e seu Fit, adquirido com cerca de 20% de desconto; ele não move as pernas, e por isso acelera e freia manualmente (note a alavanca à esquerda do volante)

Já o valor do ICMS muda em cada Estado. Em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro é de 12%; na Bahia, de 17%. No caso do IOF, adianta Pessoa, existem algumas restrições para se conseguir a dispensa do pagamento: a potência do carro não deve ultrapassar 127 cavalos e o benefício só pode ser usufruído uma vez -- e somente pelo condutor.

TIPOS DE DEFICIÊNCIA

FÍSICA
Apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções

VISUAL
Acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20º, ou ocorrência simultânea de ambas situações

MENTAL
Incluindo severa ou profunda: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação anterior aos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas

AUTISMO
Transtorno autista ou autismo atípico

Fonte: Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz)

"O benefício varia em função do valor que for financiado, observando que, se a aquisição for feita por arrendamento mercantil [leasing], o requerente não terá direito à isenção de IPI. As alíquotas vigentes de IOF são de 0,0041% ao dia mais o adicional de 0,38% sobre as operações de crédito, independentemente do prazo do financiamento contratado pela pessoa física", explica Pessoa, da Receita Federal.
Assim como no IOF, a isenção do IPVA vale apenas para o condutor do automóvel. As alíquotas atuais variam entre 3% e 4%, dependendo do tipo de veículo e do Estado onde será feita a compra. A analista de documentos Thayse diz que a autorização pode levar até seis meses para ser aprovada.
RECOMPENSA
Apesar da demora e da burocracia, quem já conseguiu o benefício diz que valeu a pena. É o caso de Itamar Tavares Garcia, 48 anos, sócio do Lyon Despachantes. Em abril do ano passado ele solicitou as isenções pela quarta vez. O veículo escolhido, que só pôde ser comprado quase 11 meses depois, foi um Honda Fit. "O preço de tabela do carro era de cerca de R$ 56 mil, mas paguei R$ 45 mil", lembra (desconto de 20%).
Garcia teve poliomielite aos oito anos de idade. Como não movimenta os membros inferiores, seu carro precisou ser adaptado com acelerador e freio manuais.
Márcia Cestari, a vítima do lúpus, também garante que a espera é recompensada. "Gastei R$ 500 no processo todo e ainda tive de esperar as autorizações por quase quatro meses, mas o desconto de R$ 13 mil que consegui foi ótimo, até porque ainda tive de desembolsar mais de R$ 1 mil para a instalação de freio e acelerador no volante", conta.

A aposentada ficou tão satisfeita que até já deu entrada em novas isenções. Ela pretende trocar o Volkswagen Fox que dirige no dia-a-dia por um modelo da Honda. "Ainda estou em dúvida, mas provavelmente será um Fit", finaliza.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vítima da Síndrome de Asperger, Messi derrota a doença para vencer na vida

 

Craque argentino tem gestos repetidos em campo, por conta da doença

ALYSSON CARDINALI

Espanha - Craque, superdotado, menino prodígio e... autista. Diagnosticado aos 8 anos de idade como portador da Síndrome de Asperger, também conhecida como “fábrica de gênios” — os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o naturalista Charles Darwin e o pintor renascentista Michelangelo, entre outros, seriam portadores — Messi é a prova viva de que a doença, uma forma branda de autismo, não impede ninguém de brilhar e, no caso do argentino, ser eleito o melhor jogador do mundo quatro vezes seguidas.

Apesar de leve autismo, craque não tem problemas dentro de campo

Foto:  Reuters

Embora o diagnóstico do autismo de Messi, que na infância também sofreu de nanismo e foi tratado no Barcelona, tenha sido pouco divulgado para protegê-lo de qualquer discriminação, seus inúmeros fãs não devem se assustar. A Síndrome de Asperger, diferentemente do autismo clássico, não acarreta em nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo — a doença afeta geralmente pessoas do sexo masculino com dificuldades de socialização, gestos repetitivos e estranhos interesses.

A fixação de Messi pela bola explicaria um pouco sobre o assunto. Apesar de seu talento inegável, o comportamento do camisa 10 argentino dentro de campo é revelador sobre o aspecto de sua doença. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente. Messi sempre faz os mesmos movimentos, quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, afirma Nilton Vitulli, no site Poucas Palavras, do jornalista Roberto Amado.

Vitulli, que é pai de um portador da síndrome de Asperger e membro da ONG Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde (reúne pais e familiares de ‘aspergianos’), acrescenta que como a maioria dos autistas tem memória descomunal, Messi provavelmente conhece muito bem todos os movimentos que precisa executar na hora de balançar a rede.

“É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido. Quando entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está aliviado”, diz Nilton, que enaltece a qualidade do chute de Messi, a sua habilidade com a bola grudada no pé, mesmo em alta velocidade, mas ressalta se tratar “apenas” de padrões de repetição comuns aos portadores da Síndrome de Asperger. Mesmo no caso do gênio Messi.

Personalidade pouco sociável fora de campo

Messi sofre com os sintomas da Síndrome de Asperger. Principalmente fora de campo — a dificuldade de interação social é o maior adversário. É o que garante Giselle Zambiazzi, presidente da Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Santa Catarina.

“O gestual, o olhar e o comportamento do Messi são típicos. Na premiação da Bola de Ouro ele ficou incomodado, pois não sabe lidar com o bombardeio de informações do mundo externo”, diz.

Ela leu a biografia de Messi e detectou traços marcantes da doença. “Na infância ele só saía de casa com uma bola de futebol. Mesmo que fosse ao médico”, diz Giselle, que espera que o craque não seja discriminado: “Acham que o autista é um débil mental. Não é isso. Messi é um exemplo de superação”.

Fonte: http://odia.ig.com.br/esporte/2013-08-28/vitima-da-sindrome-de-asperger-messi-derrota-a-doenca-para-vencer-na-vida.html

Reunião Clínica dos Distúrbios do Aprendizado

Basta comparecer no dia da reunião,  ou seja, dia 25 de setembro, às 8h, Sala de Telemedicina do Hospital Samaritano, à Rua Cons. Brotero, 1486, no bairro de Higienópolis, aqui em SP; interessante levar caderno e caneta para anotações e assinar a lista de presença, colocando seu e-mail (em letra legível) para receber a aula que será ministrada e também o convite dos próximos eventos

Um forte abraço, com afeto,

Nazareth

O Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa conta com a sua participação na Reunião Clínica dos Distúrbios do Aprendizado, que ocorrerá no próximo dia 25/09/2013, quarta-feira, às 08h, excepcionalmente na Sala de Telemedicina do Hospital Samaritano, 1º andar, sob coordenação da Dra. Saada Resende de Souza Ellovitch.

Atenciosamente.

Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa.

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Clay Marzo – Surfista autista

Clay Marzo – Surfista autista, especificamente síndrome de asperger. Clay Marzo – Surfista autista é um jovem havaiano com bastante talento para o surf.

Clay Marzo – Surfista autista

Com apenas 10 anos de idade, Clay Marzo ganhou a prova de natação de 200m no Havai. Aos 11 anos ficou em terceiro lugar na NSSA, uma prova para surfistas estudantes dos Estados Unidos. Desde então tem participado em várias provas e recebido diversos prémios pela sua performance no surf.

Durante a sua adolescência foi-lhe diagnosticado síndrome de asperger, transtorno que se enquadra no DSM-IV-Tr, fazendo parte do espectro autista.  No entanto, isto não foi impeditivo de seguir o seu talento e o seu sonho.

Normalmente crianças e jovens com autismo são fascinadas por um interesse em particular, por exemplo, códigos postais, comboios, etc. Para Clay Marzo o surf é a sua fascinação.

Mas nem tudo é fácil para Clay, ele tem dificuldade em manter uma conversa e faltam-lhe habilidades sociais, por exemplo conhecer pessoas novas e conversar com elas. Também apresenta défice de atenção e dificuldade em pensar rapidamente. De acordo com sua mãe, apenas quando está dentro de água é que se sente realmente realizado, focado no seu objetivo.

Este jovem surfista está envolvido com a organização Surfer’s Healing, uma fundação formada por um casal, Isreal and Danielle Paskowitz cujo filho foi diagnosticado com três anos.

Mais sobre Clay Marzo.

Fonte:http://educamais.com/clay-marzo-surfista-autista/

10 coisas que uma criança com Sindrome de Asperger gostaria que você soubesse!

 

Messi e o aspeger

Como o autismo ajudou Messi a se tornar o melhor do mundo

por : Roberto Amado

Os sintomas da Síndrome de Asperger trabalharam a seu favor.

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Messi é autista. Ele foi diagnosticado aos 8 anos de idade, ainda na Argentina, com a Síndrome de Asperger, conhecida como uma forma branda de autismo. Ainda que o diagnóstico do atleta tenha sido pouco divulgado e questionado, como uma maneira de protegê-lo, o fato é que seu comportamento dentro e fora de campo são reveladores.

Ter síndrome de Asperger não é nenhum demérito. São pessoas, em geral do sexo masculino, que apresentam dificuldades de socialização, atos motores repetitivos e interesses muito estranhos. Popularmente, a síndrome é conhecida como uma fábrica de gênios. É o caso de Messi.

É possível identificar, pela experiência, como o autismo revela-se no seu comportamento em campo — nas jogadas, nos dribles, na movimentação, no chute. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente”, diz Nilton Vitulli, pai de um portador da síndrome de Asperger e membro atuante da ong Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde, que reúne pais e familiares de “aspergianos”.

“O Messi sempre faz os mesmos movimentos: quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, diz Vitulli, que jogou futebol e quase se profissionalizou. E explica que, graças à memória descomunal que os autistas têm, Messi provavelmente deve conhecer todos os movimentos que podem ocorrer, por exemplo, na hora de finalizar em gol. “É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido. Quando ele entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está  aliviado”.

A qualidade do chute, extraordinária em Messi, e a habilidade de manter a bola grudada no pé, mesmo em alta velocidade, são provavelmente, segundo Vitulli, também padrões de repetição, aliados, claro, à grande habilidade do jogador. Ele compara o comportamento de Messi a um célebre surfista havaiano, Clay Marzo, também diagnosticado com a síndrome de Asperger. “É um surfista extraordinário. E é possível perceber características de autista quando ele está numa onda. Assim, como o Messi, ele é perfeito, como se ele soubesse exatamente o comportamento da onda e apenas repetisse um padrão”. Mas autistas, segundo Vitulli, não são criativos, apenas repetem o que sabem fazer. “Cristiano Ronaldo e Neymar criam muito mais. Mas também erram mais”, diz ele.

Autistas podem ser capazes de feitos impressionantes — e o filme Rain Man, feito em 1988, ilustra isso. Hoje já se sabe, por exemplo, que os físicos Newton e Einstein tinham alguma forma de autismo, assim como Bill Gates.

Também fora de campo, seu comportamento é revelador. Quem já não reparou nas dificuldades de comunicação do jogador, denunciadas em entrevistas coletivas e até em comerciais protagonizados por ele? Ou no seu comportamento arredio em relação a eventos sociais? Para Giselle Zambiazzi, presidente da AMA Brusque, (Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Brusque e Região, em Santa Catarina), e mãe de um menino de 10 anos diagnosticado com síndrome de Asperger, foi uma revelação observar certas atitudes de Messi.

“A começar pelas entrevistas: é  visível o quanto aquele ambiente o incomoda. Aquele ar “perdido”, louco pra fugir dali. A coçadinha na cabeça, as mãos, o olhar que nunca olha de fato. Um autista tem dificuldade em lidar com esse bombardeio de informações do mundo externo”, diz Giselle. Segundo ela, é possível perceber o alto grau de concentração de Messi: “ele sabe exatamente o que quer e tem a mesma objetividade que vejo em meu filho”.

Giselle observou algumas jogadas do argentino e também não teve dúvidas:  “o olhar que ‘não olha’ é o mesmo que vejo em todos. Em uma jogada, ele foi levando a bola até estar frente a frente com um adversário. Era o momento de encará-lo. Ele levantou a cabeça, mas, o olhar desviou. Ou seja, não houve comunicação. Ele simplesmente se manteve no seu traçado, no seu objetivo, foi lá e fez o gol. Sem mais”.

Segundo Giselle, Messi tem o reconhecido talento de transformar em algo simples o que para todos é grandioso e não vê muito sentido em fama, dinheiro, mulheres, badalação. “Simplesmente faz o que mais sabe e faz bem. O resto seria uma consequência. Outra aspecto que se assemelha muito a meu filho”.

Outra característica dos autistas, segundo ela, é ficarem extremamente frustrados quando perdem, são muito exigentes. “Tudo tem que sair exatamente como se propuseram a fazer, caso contrário, é crise na certa. E normalmente dominam um assunto específico. Ou seja, se Messi é autista e resolveu jogar futebol, a possibilidade de ser o melhor do mundo seria mesmo muito grande”, diz ela.

A ideia de uma das maiores celebridades do mundo ser um autista não surpreende, mas encanta. Messi nunca será uma celebridade convencional. Segundo Giselle, ele simplesmente será sempre um profissional que executa a sua profissão da melhor forma que consegue — mas arredio às badalações, às entrevistas e aos eventos.  “Ele precisa e quer que sua condição seja respeitada. Nunca vai se acostumar com o assédio. Sempre terá poucos amigos. E dificilmente saberá o que fazer diante de um batalhão de fotógrafos e fãs gritando ao seu redor. De qualquer modo, certamente a sua contribuição para o mundo será inesquecível”, diz ela.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-o-autismo-de-messi-o-ajudou-a-se-tornar-o-melhor-do-mundo/

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Médicos ainda confundem transtorno bipolar com depressão

Estudos americanos mostram que os portadores de transtorno bipolar levam até 14 anos, desde a primeira consulta ao psiquiatra, para ter o diagnóstico correto. É o que alerta a professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Maria das Graças de Oliveira. A especialista conta que muitas vezes esse transtorno é confundido com depressão porque, na maioria dos casos, o psiquiatra é procurado na fase depressiva da doença, quando os sintomas não são muito diferentes dos de quadros depressivos a que qualquer pessoa está sujeita.

O transtorno bipolar é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos que se alternam com estado de euforia, também denominados de mania, podendo se manifestar em diversos graus de intensidade. Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), alerta que entre 30% e 60% dos diagnósticos de depressão escondem um caso de transtorno bipolar.

Maria das Graças explica que na fase de euforia o paciente sente-se muito bem. 'Quando estão em hipomania [quadro mais leve de euforia], a pessoa não procura ajuda porque sente-se bem, eufórica, com agilidade mental, sentimento de confiança, ego mais inflado, sente-se mais poderosa, um estado que geralmente não a leva a procurar ajuda de um psiquiatra', explica a especialista. Se o médico não perguntar insistentemente pelo sintoma da hipomania, eles não vão contar, portanto, muitos pacientes acabam recebendo diagnóstico de depressão, quando na verdade é transtorno bipolar.

'Esses pacientes têm biografias que são verdadeiras montanhas-russas. São pessoas que passam por vários casamentos, que têm dificuldade em crescer profissionalmente, histórico de demissões ou de falências. Cada episódio de depressão ou de exaltação de humor pode ter consequências muito ruins para a vida do paciente', destacou Graça.

Fernando (nome fictício já que o entrevistado não quis ser identificado), professor de educação física, 27 anos, hoje sabe que tem transtorno bipolar. Mas, aos 13 anos, foi diagnosticado com depressão. "Na minha infância, antes dos 10 anos de idade, comecei a apresentar sinais de irritabilidade, agressividade, comecei a ser levado a psicólogos, psiquiatras. Só aos 16 fui diagnosticado com transtorno bipolar", conta.

Depois de 11 anos de tratamento, Fernando disse que passou a perceber quando está entrando em crise e toma as providências para se controlar e 'não machucar' e ofender outras pessoas. "No meu tempo de colégio eu cheguei a agredir tão fortemente um colega que ele desmaiou e foi parar no hospital, eu virava o verdadeiro Hulk (personagem de filme) nas crises de depressão", contou. No caso dele, a agressividade é um sintoma de sua crise depressiva.

Na fase de euforia, Fernando conta que fica brincalhão e cheio de si. "Eu me sinto literalmente o Super-Homem, você acha que pode tudo, que é inatingível, chegam cinco pessoas querendo bater em você e acha que pode enfrentá-las. Falta achar que sabe voar" relatou.

Ângela também conta que há casos mais leves em que as pessoas convivem com a doença por toda a vida, sem ter um diagnóstico. "Alguns descobrem a doença aos 80 anos, para ter ideia. Isso ocorre em pessoas que têm a doença de forma leve e que, por isso, nunca notaram a necessidade de um tratamento. Mas, hoje, com a ajuda da mídia, as pessoas estão mais atentas e com mais informações em relação ao transtorno bipolar, o que diminui casos de descoberta tardia" explica.

Agência Brasil

Especialista diz que transtorno bipolar é a doença que mais causa suicídios

Entre 30% e 50% dos brasileiros portadores de transtorno bipolar tentam suicídio. Essa é a estimativa sustentada pela Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). De acordo com a entidade, dos que tentam se matar, 20% conseguem o objetivo. "De todas as doenças e de todos os transtornos, o bipolar é o que mais causa suicídios', alerta a presidenta da ABTB, Ângela Scippa.

"Há um risco real de suicídio, principalmente nos estados mistos, essa mistura dos sintomas de depressão com sintoma de exaltação do humor é a situação mais crítica do ponto de vista do suicídio, a depressão também oferece muito risco à vida do paciente", explicou a professora de psiquiatria da Universidade de Brasília Maria das Graças de Oliveira.

"É importante dizer que um dos maiores inimigos do paciente é o preconceito", ressaltou a professora. Ela acrescentou que não é raro verificar pessoas que sofrem com o transtorno evitarem o tratamento porque tem preconceito contra o acompanhamento psiquiátrico e os medicamentos de controle da doença. "Essas pessoas precisam saber que vão viver muito melhor se fizerem o tratamento", destacou a médica.

O professor de educação física Fernando Carvalho*, diagnosticado há 11 com a doença, conta que já chegou a pensar em suicídio. 'Tem horas em que a gente se pergunta se tomou uma certa decisão porque estava em um momento de crise ou se foi uma decisão racional. Quando você deixa de acreditar em si mesmo dá vontade de terminar com tudo', relatou à Agência Brasil.

O controle do transtorno bipolar é feito com estabilizadores de humor e complementado com terapia comportamental. "Quando a pessoa inicia o tratamento, fica mais atenta ao seu próprio comportamento e aprende a controlar os sintomas. Não existe a cura, mas existe o controle. Com o tratamento à base de medicamentos, o paciente não desenvolve mais os sintomas e assim pode ter uma vida tranquila e controlada", explicou Ângela.

'O tratamento me deu discernimento para saber quando eu estou mudando de humor. Quando eu tenho uma crise de depressão eu ainda fico muito agressivo, mas eu consigo direcionar a raiva e preservar as pessoas de quem gosto' disse Fernando. Ele acrescentou que 'nas situações de crise machucava as pessoas, perdia amigos e namorada. É muito difícil viver nesse conflito'.

Fernando lembrou de uma ocasião em que decidiu suspender o tratamento porque se sentia bem e menos de seis meses depois teve uma crise, na qual expulsou toda a família da sua casa na noite de réveillon. "Meu padrasto nunca mais falou comigo, mesmo depois de pedidos de desculpa. Não dá para deixar o tratamento, as consequências podem ser permanentes", lamenta.

A tendência do paciente com transtorno bipolar sem tratamento é ter crises cada vez mais intensas, e com intervalos menores. Maria das Graças alerta que o humor patologicamente alterado refletirá na instabilidade de comportamento, o que se manifesta na vida profissional, social, familiar e acadêmica.

O tratamento na maioria das vezes leva a uma remissão dos sintomas da crise, ou seja, tira o paciente da depressão, da mania ou da hipomania. "Uma vez que saiu da crise, a cada 100 pacientes que interrompem o tratamento, 47 voltam a ter uma nova crise em menos de um ano, e 92 em até dois anos. Como a taxa é muito alta, existe um consenso internacional de que o paciente tem que fazer um tratamento profilático, preventivo, para evitar futuros episódios", explicou a psiquiatra.

Ela conta que os tratamentos profiláticos diminuem pela metade a chance de novas crises, mas alerta que as pessoas portadoras de transtorno bipolar são muito sensíveis a estressores psicossociais. "A pessoa pode estar bem, e, se morre um ente querido, isso gera um estresse significativo e ela entra em uma nova crise. O medicamento sozinho não consegue resolver o problema."

Depois de se separar do marido, com quem foi casada por seis anos, a técnica de enfermagem Elizabete Couto, descobriu que ele tinha transtorno bipolar. 'Ele teve todo tipo de problema relacionado ao transtorno bipolar, se envolveu com bebida, drogas, fazia barbaridades e depois pedia perdão chorando' relembra.

Ela conta que, depois da separação, o ex-marido foi diagnosticado como portador da doença. "Quando ele foi diagnosticado, nós voltamos, na condição de ele se internar para começar o tratamento. Hoje, ele ainda tem momentos depressivos, muito relacionados a eventos do dia a dia, mas mudou muito se comparado a (às reações que tinha) antes do tratamento", relatou Elizabete.

A técnica de enfermagem ainda contou que, antes do tratamento, foi agredida pelo marido. "Ele era totalmente perturbado, ouvia vozes, arrumava antipatia com todo mundo, era agressivo, me agredia, arrumava confusão com as pessoas da rua, vizinhos, sempre ficava comigo a parte de resolver os problemas da família e limpar a barra dele".

Agência Brasil

Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

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O Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência foi instituído pelo movimento social em Encontro Nacional, em 1982, com todas as entidades nacionais. Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o dia da árvore numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada através da Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005.
     Esta data é comemorada e lembrada todos os anos desde então em todos os estados; serve de momento para refletir e buscar novos caminhos e como forma de divulgar as lutas por inclusão social.

     No Brasil, segundo o IBGE, 14,5%  da população tem algum tipo de deficiência (algo em torno de 24,5 milhões de pessoas). Os direitos dos deficientes estão garantidos na Constituição Federal de 1988 e o Brasil tem uma das legislações mais avançadas sobre os direitos das pessoas com deficiência, das quais destacamos algumas:

  • Lei Federal  nº 7.853, de 24/10/1989, dispõe sobre a responsabilidades do poder público nas áreas da educação, saúde, formação profissional, trabalho, recursos humanos, acessibilidade aos espaços públicos, criminalização do preconceito.

  • Lei Federal  nº 8.213, 24/07/1991, dispõe que as empresas com 100 (cem) ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência.

  • Lei Federal  nº 10.098, de 20/12/2000, dispõe sobre acessibilidade nos edifícios públicos ou de uso coletivo, nos edifícios de uso privado, nos veículos de transporte coletivo, nos sistemas de comunicação e sinalização, e ajudas técnicas que contribuam para a autonomia das pessoas com deficiência.

  • Lei Federal nº 10.436, 24/04/2002, dispõe sobre  o reconhecimento  da LIBRAS-Língua Brasileira de Sinais para os Surdos

Estes avanços foram frutos de muita luta e enfrentamentos e muita vontade de transformar. Muito há que se fazer, para que estas leis saiam do papel, trazendo igualdade para todos os cidadãos.

Fonte: Deficiente Online

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