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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Médicos ainda confundem transtorno bipolar com depressão

Estudos americanos mostram que os portadores de transtorno bipolar levam até 14 anos, desde a primeira consulta ao psiquiatra, para ter o diagnóstico correto. É o que alerta a professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Maria das Graças de Oliveira. A especialista conta que muitas vezes esse transtorno é confundido com depressão porque, na maioria dos casos, o psiquiatra é procurado na fase depressiva da doença, quando os sintomas não são muito diferentes dos de quadros depressivos a que qualquer pessoa está sujeita.

O transtorno bipolar é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos que se alternam com estado de euforia, também denominados de mania, podendo se manifestar em diversos graus de intensidade. Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), alerta que entre 30% e 60% dos diagnósticos de depressão escondem um caso de transtorno bipolar.

Maria das Graças explica que na fase de euforia o paciente sente-se muito bem. 'Quando estão em hipomania [quadro mais leve de euforia], a pessoa não procura ajuda porque sente-se bem, eufórica, com agilidade mental, sentimento de confiança, ego mais inflado, sente-se mais poderosa, um estado que geralmente não a leva a procurar ajuda de um psiquiatra', explica a especialista. Se o médico não perguntar insistentemente pelo sintoma da hipomania, eles não vão contar, portanto, muitos pacientes acabam recebendo diagnóstico de depressão, quando na verdade é transtorno bipolar.

'Esses pacientes têm biografias que são verdadeiras montanhas-russas. São pessoas que passam por vários casamentos, que têm dificuldade em crescer profissionalmente, histórico de demissões ou de falências. Cada episódio de depressão ou de exaltação de humor pode ter consequências muito ruins para a vida do paciente', destacou Graça.

Fernando (nome fictício já que o entrevistado não quis ser identificado), professor de educação física, 27 anos, hoje sabe que tem transtorno bipolar. Mas, aos 13 anos, foi diagnosticado com depressão. "Na minha infância, antes dos 10 anos de idade, comecei a apresentar sinais de irritabilidade, agressividade, comecei a ser levado a psicólogos, psiquiatras. Só aos 16 fui diagnosticado com transtorno bipolar", conta.

Depois de 11 anos de tratamento, Fernando disse que passou a perceber quando está entrando em crise e toma as providências para se controlar e 'não machucar' e ofender outras pessoas. "No meu tempo de colégio eu cheguei a agredir tão fortemente um colega que ele desmaiou e foi parar no hospital, eu virava o verdadeiro Hulk (personagem de filme) nas crises de depressão", contou. No caso dele, a agressividade é um sintoma de sua crise depressiva.

Na fase de euforia, Fernando conta que fica brincalhão e cheio de si. "Eu me sinto literalmente o Super-Homem, você acha que pode tudo, que é inatingível, chegam cinco pessoas querendo bater em você e acha que pode enfrentá-las. Falta achar que sabe voar" relatou.

Ângela também conta que há casos mais leves em que as pessoas convivem com a doença por toda a vida, sem ter um diagnóstico. "Alguns descobrem a doença aos 80 anos, para ter ideia. Isso ocorre em pessoas que têm a doença de forma leve e que, por isso, nunca notaram a necessidade de um tratamento. Mas, hoje, com a ajuda da mídia, as pessoas estão mais atentas e com mais informações em relação ao transtorno bipolar, o que diminui casos de descoberta tardia" explica.

Agência Brasil

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ficar sentada por muito tempo pode levar mulher à depressão, diz estudo

A pesquisa foi feita com cerca de 9 mil mulheres com idades entre 50 a 55 anos

A pesquisa foi feita com cerca de 9 mil mulheres com idades entre 50 a 55 anos

Quanto mais longo o período que uma mulher de meia idade fica sentada, mais propensa ela está de ter sintomas de depressão. Isso é o que descobriram os pesquisadores da Universidade de Victoria e da Universidade de Queensland.

A equipe recrutou cerca de 9 mil mulheres com idades entre 50 a 55 anos, que responderam a pesquisas em 2001, 2004, 2007 e 2010, conforme citou a publicação Runners World. Os pesquisadores mantiveram o controle sobre os sintomas depressivos e os níveis de atividade física também.

Os resultados, publicados no "American Journal of Preventive Medicine", mostraram que as mulheres que se sentavam por mais de sete horas por dia tinham um risco 47% maior de apresentar sintomas de depressão se comparadas às mulheres que se sentavam durante quatro horas ou menos por dia.

As mulheres que não se exercitavam tiveram um risco 99% maior de depressão em comparação às mulheres que se exercitavam por 30 minutos por dia, na maioria dos dias.

No entanto, todo esse período de ficar sentado não foi associado aos sinais futuros de depressão, relatou a Runners World, mas sim aos sentimentos depressivos no momento.

Se você tem um trabalho em que fica sentado o dia inteiro, a Mayo Clinic aconselha a tirar micro pausas a cada 20 ou 30 minutos, e então se levantar, se movimentar e respirar fundo para aliviar a tensão muscular.

Outras ideias incluem se levantar ao receber chamadas telefônicas, andar até um colega de trabalho para falar alguma coisa em vez de usar o e-mail e preferir usar as escadas em vez do elevador sempre que possível.

Também é uma alternativa acabar com o sedentarismo nas horas de folga, optando por exercícios em vez de assistir à TV, por exemplo.

domingo, 1 de setembro de 2013

“Qualquer um está predisposto a desenvolver a depressão”

Para psiquiatra Zanizor Rodrigues, essência do ser humano é bélica, agressiva e erótica

Zanizor diz que ainda há muito preconceito em relação a doenças consideradas subjetivas

ISA SOUSA
DA REDAÇÃO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que, em 2030, a depressão será o “mal do século” ou o mal mais prevalente do planeta, à frente do câncer e de algumas doenças infeccionas. De acordo com a entidade, atualmente, cerca de 121 milhões de pessoas têm a doença.

Para o médico psiquiatra Zanizor Rodrigues da Silva, 64 anos, não é que a doença se propagará, mas sim que as doenças consideradas “orgânicas” serão melhor tratadas.

“O que nos diferencia hoje é que temos mais acesso à informação e estão buscando mais assistência. Não aumentou e nem vai aumentar a quantidade de doenças mentais”, afirmou.

Formado há 38 anos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ex-servidor do Centro Integrado de Apoio Psicossocial (Ciaps) Adauto Botelho, psiquiatra forense, Zanizor é criterioso ao afirmar que o sistema de trabalho ocidental é opressor e desencadeador dos males da alma.

“A competitividade contribui para depressão, para ansiedade ou para as doenças que a pessoa tem predisposição, como diabetes, hipertensão, lúpus, alergias, doenças de pele”, disse.

Desconsiderando que somos uma sociedade doente, o médico, no entanto, afirmou que a predisposição a doenças que não se vê, mas que muito se sente, pode ocorrer com qualquer ser humano.

Confira os principais trechos da entrevista que Zanizor da Silva concedeu ao MidiaNews:

MidiaNews - Como ser humano, todos temos fraquezas. Entre os males considerados da alma, estão depressão, esquizofrenia, anorexia, bipolaridade, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno do pânico, a busca de drogas e álcool e transtornos de personalidades. Qualquer pessoa pode desenvolver um ou mais desses males?
Zanizor Rodrigues da Silva –
Qualquer um. Como psiquiatra forense, eu não me espanto muito com o que o ser humano faz, as grandes maldades, a violência, alguém esquartejar o outro, mesmo porque essas pessoas não têm uma anteninha, elas são desse planeta. O ser humano é complicado mesmo.

"A essência do ser humano é ser bélico, é ser agressivo e é ser erótico. São os dois deuses trabalhando em conjunto: Eros (personificação do amor) e Tânato (personificação da morte). "

A essência do ser humano é ser bélico, é ser agressivo e é ser erótico. São os dois deuses trabalhando em conjunto: Eros (personificação do amor) e Tânato (personificação da morte). O que nos diferencia hoje é temos mais acesso a informações e estão buscando mais assistência. Não aumentou e nem vai aumentar a quantidade de doenças mentais. Não é como um fumo, onde se existiu uma cultura de fumar e, consequentemente a isso, vem diversas doenças. Não, doença mental vai na mesma toada, na mesma quantidade.

MidiaNews - A OMS declarou, recentemente, que são 121 milhões de pessoas com depressão no mundo. Esse número pode ser considerado alto?
Zanizor –
As estatísticas não são muito exatas e é difícil em termos absolutos, mas a população de depressivos é muito grande sim. Além dela, temos algumas outras estatísticas como: 1% da população mundial é esquizofrênica, 1% tem retardo mental, 1% tem epilepsia, em torno de 2% tem transtorno bipolar e mais ou menos 10% tem transtorno afetivo, outros 30% tem transtornos variados, desde personalidade até afeto. Dependência química também encontra sua percentagem: 5% é dependente de álcool. Ou seja, não há uma estatística tão fidedigna em relação a depressão ou outros transtornos.

MidiaNews - O Brasil é o primeiro no ranking entre os países em desenvolvimento (66% da população já tiveram, ao menos, um sintoma e 18% têm ao longo da vida). O latino é conhecido por ser dramático e ter um perfil “mais aberto” do que o europeu, por exemplo. Por que, então, somos tão depressivos?
Zanizor
– Primeiro, porque somos humanos. Não somos de outro planeta. É natural que nós tenhamos passionalismos em relação à vida. A vida é toda passional. Viver é uma grande superação de tensões, de ansiedades, de estados de todos os teores. É preciso administrar a vida afetiva, financeira, social. Viver é uma grande demanda psíquica e não é muito incomum a depressão. Mas não é porque somos brasileiros, é o ser humano de modo geral. Não há sentimentos diversificados em um alemão e um brasileiro.

MidiaNews - O que pode levar à depressão? Existe uma tendência a ser depressivo?
Zanizor –
É muito genérico falar o que pode levar à depressão. Não se pode dizer que existam grupos que sejam mais depressivos ou populações mais ou menos depressivas. A gente entende que se uma pessoa vive em uma área com mais contato com a natureza, em situações menos fechadas, onde há uma divisão do psiquismo com outros, de alguma forma consegue-se diminuir situações de conflitos. Tente imaginar: alguém que fica fechado, dentro de sua casa, convivendo apenas no núcleo familiar e não sai para nada, tende a ter situações mais depressivas.

Ainda assim, a depressão está relacionada com diversos fatores. Não há uma causa específica. Tem causas que são genéticas, a pessoa tem uma vida absolutamente normal e, devido a genética, desencadeia um quadro depressivo, outras causas são das demandas sociais em que pode estar relacionada com a autoestima e a cultura que ela está inserida, o que faz com que venha a ter depressão. Tem causas que são impessoais e imediatas. Há um somatório de fatos e não há uma única causa. Para ter a doença é quando esses fatores são muito prevalentes e a pessoa não dá conta de superar sozinha.

MidiaNews - Em 2030, a depressão será o mal mais prevalente do planeta, à frente do câncer e de algumas doenças infecciosas, segundo a OMS. O senhor a considera, realmente, o mal do século?
Zanizor –
Evidente que, a partir de um determinado momento em que essas doenças orgânicas vão tendo um processo de resolução, entendimento e controle maior, com a esperança de vida aumentando, sobra, obviamente, a área psíquica. E quais são as doenças? Ansiedade, depressão, transtornos de personalidade, entre outros, que acabam aflorando um pouco mais. Não quer dizer que o número de pessoas psiquicamente doentes vá aumentar, mas irá ser mais diagnosticado que os outros, que vão ter uma resolução mais adequada e rápida.

MidiaNews -Seria apocalíptico, então, afirmar que a depressão será o mal do século?
Zanizor -
Apocalíptico e muito simplório dizer que vá ser a doença do século. A depressão sempre existiu em uma constante.

MidiaNews - A depressão é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo. Se por um lado vemos diagnósticos precoces, por outro, também vemos que o quadro depressivo nem sempre é levado a sério. Por quê?
Zanizor –
A depressão é totalmente deixada de lado e realmente não é levada a sério. O principal motivo é porque não se entende nada que seja subjetivo. Em realidade, tudo que é subjetivo não tem credibilidade. Eu já tive contato com perito do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) falando que depressão não existe, que não tem como dimensionar e nem medir. De fato, nós trabalhamos com uma área subjetiva, nós temos a história do indivíduo.

"A depressão é totalmente deixada de lado e, realmente, não é levada a sério. O principal motivo é porque não se entende nada que seja subjetivo. Em realidade, tudo que é subjetivo não tem credibilidade. "

Às vezes, um transtorno começa de uma forma muito leve, onde é possível superar, e de repente ele entra em depressão profunda e com ideias suicidas. Como é subjetivo, ninguém leva em consideração, não se entende e é bastante incapacitante como as estatísticas mesmo mostram.

MidiaNews - Dessa forma, qual o prejuízo social, então?
Zanizor -
A partir do momento que não se entende, também não se diagnostica e não se busca tratamento adequado, o que acaba tornando a doença crônica, ou seja, pior. Tudo que se descobre inicialmente é mais fácil de tratamento. Se deixar à mercê da sorte, a doença evolui e pode até terminar em uma consequência muito grave.

MidiaNews – Então, o senhor acredita que somos preconceituosos com os males da alma?
Zanizor –
Completamente. E não só preconceituosos como também incompreensíveis. Não se entende a depressão. O que se entende é o documento, o papel, são os exames. A depressão, assim como outras doenças da alma, é uma área que depende de tempo, pesquisa e avaliação. Embora a própria psiquiatria esteja se aprimorado com testes, elaboração de escalas, estudos com áreas do cérebro que estariam mais influenciadas e ressonâncias específicas.

MidiaNews - O senhor acredita que somos uma sociedade doente e pouco compreendida?
Zanizor –
Não. Nós não somos uma sociedade doente. Somos uma sociedade em desenvolvimento, que é complexa, e com uma demanda cada vez maior. Agora, por exemplo, estamos em plena evolução tecnológica que mal dá para acompanhar e que ainda não temos total conhecimento do que significa e do que será daqui a 20 anos. As coisas acontecem muito rápido. Mas, mesmo assim, a sociedade não adoece por conta disso. Ao contrário, todos os indicadores de saúde mostram que estamos melhores do que estávamos há 20 anos.
Não vamos perder controle sobre nossa questão psíquica ou física. Evidentemente que nós vamos nos adaptar. Só que nós devemos entender que essas questões subjetivas vão ser mais estudadas. A esperança é os males da alma tenham uma explicação mais hábil e mais possível para a população, como o próprio Dráuzio Varela tem feito no Fantástico com a série Males da Alma.

MidiaNews - Existe cura para a depressão?
Zanizo –
Às vezes, tem melhora, em outros casos mais severos há o suicídio. A maior parte dos procedimentos tem assistência e melhoras.

MidiaNews - A imprensa tenta noticiar o menos possível a taxa ou casos de suicídio. Um dos princípios, que funciona quase como um pacto no jornalismo, é que, ao falar do assunto, pode-se corroborar com o aumento da taxa. Como a psiquiatria trata o suicídio ou como ele deve ser tratado, de maneira geral? Para psiquiatra, o suicídio tem, pelo menos, três interpretações. 

Zanizor – O suicídio tem muitas abordagens. Na abordagem médica ele é resultado de um desespero ou estado limite. A pessoa está em uma melancolia profunda, em que não vê solução, e acaba tirando a vida. Nós temos mecanismos de prevenir esse tipo de suicídio, tratando bem precocemente, dando importância as tentativas, que para nós é muito sério e serve como uma luz vermelha. Repito: qualquer tentativa de suicídio, por mais banal que seja, é séria. Nós podemos prevenir, fazendo tratamento, ter acompanhamento psicológico, observando a dinâmica da vida da pessoa.

Existe uma outra abordagem que é a filosófica. Nem todo suicídio é doença. Às vezes é uma resistência à vida. Ao mesmo tempo que eu tenho que pagar imposto, eu tenho que estar cheiroso, tenho que estar amando as pessoas, sou pai, sou provedor, sou profissional e sou diversas outras coisas. Assim, sou preso a essa sociedade e, sendo preso, a única coisa que me resta é essa vida. Então como resistência a essa prisão, eu posso dispor da minha vida e me mato.

Exemplo disso foi o ator Walmor Chagas, que não era depressivamente doente, porém se negou a ter uma velhice indigna e resolveu se suicidar. [O ator se matou em janeiro deste ano com um tiro na cabeça. Walmor, 82 anos, tinha diabetes e hipertensão e não queria depender de familiares e amigos.]

Outra questão é a cultural. Os índios Guaranis de Mato Grosso do Sul, por exemplo, se suicidam e não é nada indigno, amoral ou doloso. Por outro lado, existem os homens bomba do Oriente Médio, em que para eles, se matar é eticamente correto. O suicídio tem abordagens muito distintas e não apenas médica. De qualquer maneira não é fácil falar do tema por suas diversas interpretações.

MidiaNews – Atualmente, as crianças mais travessas têm TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com HiperatividadE) e as pessoas mais “sistemáticas” possuem TOC. Os diagnósticos, às vezes, são dados de forma muito precoce?

"A grande verdade é que hoje esses transtornos estão mais à tona. Antigamente, não se falava de déficit de atenção do modo que se fala hoje, e muito menos do TOC. "

Zanizor – A grande verdade é que hoje esses transtornos estão mais à tona. Antigamente não se falava de déficit de atenção do modo que se fala hoje e muito menos do TOC. Ambos são transtornos por vezes impeditivos, em que a pessoa não consegue sair de um impasse, é uma situação dramática. A divulgação é positiva no sentido que mais se fala, se comenta e se descobre.
Não é que o diagnóstico é feito de forma precoce, porém tem que ser feito de forma multiprofissional. Isso quer dizer que tem que haver testes, outras abordagens e não apenas uma opinião.

MidiaNews - Os transtornos estão sendo banalizados e mal empregados?
Zanizor –
Toda questão de comportamento é muito banalizada. O ser humano é complexo e têm núcleos que são mais hiperativos, outros mais sistemáticos, tem gente que é minuciosa e, não necessariamente, todos tem patologia. Quando algo começa a incomodar e a pessoa repete as mesmas coisas, vai tomar um banho e demora três horas, se começa a ser de uma hiperatividade em que não consegue reter nada, isso tem que ser diagnosticado e tratado.

MidiaNews - Mas, essa observação começa de onde, de quem tem o problema ou das pessoas que estão em volta, familiares, amigos, escola?
Zanizor –
De maneira geral são os terceiros que vão observar. Tem que ser levado em consideração o convívio social, como aquela criança ou adulto é na escola, com os amigos, com seu grupo social, se o que não tem importância para os demais acaba tendo uma importância muito grande para quem desenvolveu a patologia. São dados importantes.

MidiaNews - Em relação às crianças e  aos adolescentes, os pais são um pouco cegos?
Zanizor –
Os pais estão em uma vida muito corrida atualmente. Eles praticamente abandonaram a educação dos filhos. Nesse sentido, cabe a escola todos os papéis: dar comida, ocupar o espaço livre, substituir família. O que acontece, no entanto, é que nem o de educar a escola dá conta 100% algumas vezes.

MidiaNews - Qual a opinião do senhor em relação ao uso de medicamentos tarja preta de forma contínua. Eles são mocinhos ou vilões?
Zanizor –
São mocinhos. Os medicamentos tarja preta, obviamente, devem ser usados quando há necessidade. Se houve pesquisa, avaliação e indicação, nós usamos. Com critérios, é claro.

MidiaNews - Mas, existe uma banalização dos antidepressivos?
Zanizor –
Sim. Há banalização porque quem receita antidepressivo são médicos, que nem sempre prescrevem de maneira indicada e não são especialistas naquela área. Usa-se às vezes de forma errada e depois temos que consertar. É muito complicado. O que é preciso, é que se busque especialistas. Medicamento deve ser bem indicado.

"Há banalização porque quem receita antidepressivo são médicos, que nem sempre prescrevem de maneira indicada e não são especialistas naquela área"

 

MidiaNews - Uma vez, ouviu-se falar que a geração que está aí posta não sabe muito bem como realmente crescer e acabasofrendo. Explico: são jovens que têm tudo de “mão beijada” e, quando precisam ir para o mercado de trabalho, percebem que o mundo não é tão fácil como os pais faziam parecer que era. O que esperar desses jovens?
Zanizor –
A vida de hoje é muito mais fácil que era anteriormente. Não tínhamos a tecnologia e qualidade de vida que temos hoje. Óbvio, as demandas que a indústria cultural martela na cabeça deles a indústria do consumo, que é uma verdadeira tortura em relação ao consumismo. O jovem vive nessa demanda, porém, ele se adapta, com o diferencial que estará em uma sociedade menos reprimida.

MidiaNews - Recentemente, uma blogueira, Dai Dornelles, que deixava claro que sofria de anorexia, morreu devido à doença. Mesmo se auto denunciando com o problema, as postagens dela sempre tinham muitas “curtidas”, como se as leitoras achassem bom ser magra. Desde que o mundo existe, os padrões são postos, mas o senhor considera que há um exagero na imposição dos padrões atualmente?
Zanizor –
Lógico. Há uma glamourização terrível que a indústria cultural impõe em termos de modelo de estética. Sempre terá desvios. A questão do uso de “bombas” e testoteronas aumentou, por exemplo. Hoje se nota um padrão de mulheres com coxas gigantes. O problema, no entanto, é quando se espelhar vira obsessão e, passando-se do limite, vira doença.

MidiaNews – Mas, nesse sentido, a internet corrobora?
Zanizor –
Sim, porque é um mecanismo imediato, mas também não significa que irá aumentar mais a quantidade dos desvios de personalidade.

MidiaNews - Segundo a OMS, 2% da população mundial sofrem de transtorno bipolar. A doença, no entanto, às vezes, é confundida ou mudanças de humor já são consideradas bipolaridade. O senhor acredita que há banalização?
Zanizor –
Na verdade, não. Quando alguém fala que fulano é bipolar, tem TDAH ou TOC, prefiro ver pelo lado positivo. Hoje temos muito mais informação que no passado e, a partir do momento que se busca entender ou começar a perceber alguns sintomas, procurar ajuda profissional para verificar se aquilo realmente é uma doença ficou menos difícil. Não acredito que seja negativo.
O transtorno bipolar é muito difícil de ser tratado. Quem convive com a doença ou com pessoas que a têm passam por situações muito dramáticas. A bipolaridade é incapacitante e desestrutura famílias. Ele tem uma parcela genética e grande parte dos pacientes já chega em uma fase bem limítrofe.

Bipolaridade: transtorno causa impeditivos a quem tem e quem convive

Outro problema é que a própria adesão ao tratamento é difícil. Quando se cita a medicina americana, ela fala muito de espectro bipolar. Ou seja, existem pessoas que são ansiosas e têm um pé na bipolaridade, assim como pacientes que têm déficit de atenção ou hiperatividade é também têm um pé na bipolaridade. Ou seja, o transtorno é visto sob uma ótica maior. Quanto mais cedo diagnosticar o quadro, menos difícil poderá ser de tratá-lo.

MidiaNews - Por outro lado, temos o transtorno do pânico que pouco se sabe ou pouco se fala. Ele também é preocupante?
Zanizor -
O transtorno do pânico é muito comum. Qualquer classe social pode ser atingida e se caracteriza por dezenas de sintomas orgânicos, somatizações das mais diversas, que vem subitamente e essa é a principal questão.
O transtorno, no entanto, é fácil de ser diagnosticado. Às vezes você está muito bem e de repente começa a ficar com boca seca, mão gelada, formigamento, o coração dispara, sente falta de ar, tontura, começa a acredita que vai ter um AVC ou um infarto, corre ao médico e não há nada. Outro dia, a mesma coisa. Se não há nada orgânico, certamente é pânico. Tem tratamento, há fórmulas, terapias cognitivas ajudam bastantes e com medicamentos antidepressivos.

MidiaNews - O senhor é psiquiatra forense e uma vez li o senhor comentando sobre psicose em policiais militares, que vivem em um modelo de trabalho, por vezes, opressor. Além deles, quais outras profissões estão na berlinda?
Zanizor –
Hoje, há três profissões que mais constantes e gritantes que vemos nos consultórios e, veja bem, não são necessariamente psicoses e sim transtornos.

Os primeiros são os policiais militares mesmo, que não tem proteção sob o ponto de vista psicológico, não passam muitas vezes por preparo ou reciclagem e vivem em uma área de confronto constante. Neles, por exemplo, vemos uma grande quantidade de alcoólatras, usuários de drogas e quadros psicótico.

Em segundo lugar temos os professores, tão deixados de lado e que também estão sob muita pressão. Além disso, como falamos anteriormente, acabam substituindo os pais ausentes e sofrem pressão de alunos.
Em terceiro lugar estão os bancários. Nesse caso, a principal pressão é porque eles têm que vender dinheiro de qualquer maneira. Existem as metas e, superando-as, outras são impostas.

MidiaNews - Mas, nesse caso, a competitividade ajuda no aparecimento de transtornos, como o que falamos até agora?

"Os serviços públicos são péssimos na área de Saúde Mental e, realmente, houve uma total degradação."

Zanizor – Lógico que ajuda. Você está sob pressão, tem que cobrir suas metas, pagar contas, cuidar da sua família e, ao mesmo tempo, viver sob uma ameaça constante de demissão, uma vez que não há nenhuma segurança nesse sentido. A competitividade contribui para depressão, para ansiedade ou para as doenças que a pessoa tem pré-disposição, como diabetes, hipertensão, a imunidade pode abaixar e causar lúpus, alergias, doenças de pele, etc.

MidiaNews - Mas, o mercado de trabalho, que é o causador, entende essas doenças?
Zanizor –
Acho que o mercado de trabalho ainda é muito agressivo, muito seletivo, tem que tirar o sangue dos trabalhadores de alguma forma e só os mais aptos, ou seja, os que produzem é que ficam no mercado. Se não der conta, pode sair. E as demandas da vida, como uma separação ou um quadro depressivo, não são aceitas. A não aceitação vem, principalmente, porque se você está doente não produz.

MidiaNews - O senhor disse que trabalhou, durante algum tempo, no Adauto Botelho. Recentemente, o MidiaNews fez uma reportagem sobre o fechamento do Pronto-Atendimento do hospital psiquiátrico porque não havia medicamentos e nem leitos. A psiquiatria pública está abandonada?
Zanizor –
Completamente. Os serviços públicos são péssimos na área de saúde mental e realmente houve uma total degradação. Em relação a assistência de psicóticos, é só fazer um levantamento de quantos psiquiatras estão no serviço de assistência, são pouquíssimos. Primeiro, se a população tem necessidade, ou ela não tem atendimento ou é atendida por clínicos.

Segundo, se há necessidade de uma assistência de emergência, vamos imaginar que o paciente está no limite, vai hoje lá no pronto-atendimento do Adauto Botelho: as portas estarão fechadas. Onde ele será atendido? De alguma forma desorganizaram o serviço de referência que existia. Nós não conseguimos internar um paciente atualmente.

Na área de assistência a álcool e drogas, é uma outra situação de abandono feita pelo Governo. Hoje temos um erviço perto do Detran, chama de Unidade 3 do Adauto Botelho, onde a internação é conseguida por meio de ordem judicial. A grande maioria, em torno de 500 pessoas, fica internadas em unidades terapêuticas, que não tem nenhuma assistência médica, nenhuma assistência técnica de qualidade e que são comandadas pelo setor privado ou por pessoas leigas evangélicas, espiritas, católicas ou de outro cunho social e essa é a única alternativa que existe para a população.

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=266&cid=171166

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Surdez pode levar à depressão, alerta médica

Redação Bonde com assessoria de imprensa

A história humana mostra conflitos no processo de compreensão do fenômeno da surdez, que já foi considerada como maldição, loucura, aberração, ou, mais atualmente – e corretamente, - como patologia congênita ou adquirida. Após anos de estudo, classificou-se surdez como a incapacidade de o cérebro processar e decodificar, parcial ou totalmente, os estímulos sonoros enviados por meio do nervo auditivo do ouvido, devido à falha no mecanismo de transmissão desses estímulos. Porém, com as tecnologias disponíveis e estudos recentes, é possível o surdo ter uma vida praticamente normal.

Doenças, muitas consideradas comuns, podem trazer sérios problemas auditivos se não cuidadas de forma correta. Entre elas estão o diabetes, a meningite, o sarampo, a caxumba e a rubéola materna.

Outra questão que pode fazer com que a audição piore é a exposição a barulho muito alto. Em setores industriais e no trânsito de veículos nas vias das grandes cidades, o ruído pode ultrapassar os 100 decibéis, ocasionando prejuízo à audição e à saúde de um modo geral.

Porém, a causa mais comum da perda auditiva é o envelhecimento natural. "A surdez é um dos problemas mais frequentes em idosos. Quem nunca presenciou as dificuldades enfrentadas pelos mais velhos para ouvir? Conhecida como presbiacusia, a deficiência auditiva nesses casos acontece devido ao desgaste provocado pelo envelhecimento das céluas auditivas, assim como em qualquer outra parte do corpo", explica a Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães, Otorrinolaringologista e Otoneurologista de Curitiba, PR.

A especialista comenta que, se não tratada a tempo, a perda auditiva, principalmente em idosos, pode causar sérias consequências, como a depressão e a exclusão social. "Para evitar esse problema, os familiares devem ficar atentos a alguns sinais, como a dificuldade no entendimento da fala, alterações psicológicas, como depressão, frustração, embaraço, raiva e medo, que podem ser causadas pela incapacidade de comunicação, e até problemas simples como atravessar a rua e não ouvir a buzina", diz Rita.

A surdez é uma experiência solitária para quem a sente, e para lidar com o paciente da melhor forma possível, é preciso que as pessoas mais próximas a ele aprendam a "trabalhar" da forma correta – e a primeira coisa a se fazer é procurar um médico especialista que possa indicar o melhor tratamento para cada caso.

Rita comenta que a limitação que a pessoa sente para fazer o que gosta em coisas simples, como assistir TV, ir ao cinema e participar de reuniões familiares por exemplo, ou a sensação de inutilidade perante a família são as principais causas da depressão e do isolamento por meio da surdez. "Por isso a ajuda profissional é tão importante. Muitas vezes pode ser preciso um trabalho multidisciplinar envolvendo otorrino, fonoaudiólogo e psicólogo para auxiliar o paciente", exalta.

Já existem, hoje em dia, soluções para quase todas as formas de surdez, que variam desde aparelhos auditivos, proteses implantáveis e até os implantes cocleares. "É preciso lembrar que o uso diário do aparelho e o apoio da família são essenciais para que o paciente resgate sua auto-estima e qualidade de vida, - mas somente o profissional especializado poderá fazer a indicação do melhor aparelho, de acordo com exames e demais testes que forem necessários ser feitos no paciente", conclui a médica.

Fonte: http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--322-20130829

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cientistas buscam novo modelo para doenças mentais

31/03/2013 | 16h42min

A mesma revolução que vem acontecendo na oncologia, apoiada na genômica e no conhecimento da biologia do câncer, precisa acontecer agora na psiquiatria. O diagnóstico e o tratamento de doenças mentais - como bipolaridade, depressão maior, déficit de atenção (TDAH) e esquizofrenia - precisam se tornar mais personalizados, adaptados às características genéticas, biológicas e comportamentais de cada paciente.

É o que afirma o médico Bruce Cuthbert, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), e outros pesquisadores que participaram do Y-Mind, um encontro de especialistas sobre o tema realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na semana passada. Eles defendem mudanças significativas na maneira de se lidar com as doenças psiquiátricas, tanto no âmbito da ciência quanto da medicina.

A principal limitação atual, segundo Cuthbert, é que os sistemas de diagnóstico são baseados na observação de sintomas, que só se manifestam quando a pessoa já está doente e que fornecem informações limitadas - e frequentemente confusas - sobre o que está acontecendo no cérebro do paciente. Ou seja, sobre as causas do problema.

"Se quisermos falar em prevenção, se quisermos falar em cura, precisamos entender muito melhor os mecanismos da doença, para que possamos tratar a patologia em si, e não apenas os seus sintomas", diz o cientista americano, que dirige a Divisão de Pesquisa Translacional e Desenvolvimento de Terapias para Adultos do NIMH.

Em primeiro lugar, segundo os pesquisadores, é preciso rever a maneira como as doenças psiquiátricas são classificadas. A ideia seria passar de um modelo compartimentado, mais parecido com um gaveteiro, em que cada transtorno é descrito separadamente do outro, para um modelo mais parecido com o de uma árvore evolutiva (ou até de uma floresta), cheia de ramificações, em que cada galho representa uma combinação individual de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Hoje, pelo modelo compartimentado, pacientes com sintomas parecidos são diagnosticados como tendo a mesma doença - esquizofrenia, por exemplo - o que não é necessariamente verdade. Assim como duas mulheres com câncer de mama podem ter doenças bastante diferentes, envolvendo tipos de células, genes e mutações distintas, duas pessoas com sintomas semelhantes de esquizofrenia podem sofrer de transtornos diferentes, envolvendo células, moléculas, genes e circuitos neuronais distintos, que exigem tratamentos igualmente diferenciados. Por isso é comum uma droga funcionar para um paciente, porém ser inócua para outro.

Da mesma forma, é possível que dois casos classificados como transtornos distintos tenham raízes genéticas comuns, envolvendo um mesmo circuito neuronal, permitindo que eles sejam tratados de forma semelhante. Há uma grande área cinzenta entre a bipolaridade e a esquizofrenia, por exemplo - razão pela qual há gêmeos idênticos que manifestam transtornos diferentes, apesar de terem o mesmo genoma.

Paradigmas. Um grande estudo publicado há cerca de um mês na revista médica Lancet revelou que há várias semelhanças genéticas entre cinco doenças mentais de grande prevalência na população: autismo, déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), bipolaridade, depressão maior e esquizofrenia.

"Essas doenças não existem isoladamente como pensamos nelas atualmente. O que existem são modelos teóricos que foram desenvolvidos para organizar as pesquisas", diz o pesquisador Jair Mari, coordenador do Programa de Pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Unifesp. "Esse modelo foi importante para chegar onde estamos hoje, mas ele já se esgotou. Precisamos de um novo paradigma."

Para Cuthbert, falar que alguém tem esquizofrenia hoje é o mesmo que dizer que alguém tinha câncer 30 anos atrás: "Não nos diz nada sobre as características da doença ou como ela deve ser tratada".

O ideal seria que os diagnósticos, como já ocorre na oncologia, fossem baseados em uma descrição dos fatores genéticos, biológicos e químicos que estão alterados no cérebro de cada paciente - e que o tratamento fosse definido com base nessas características individuais. "Não precisamos encaixar o paciente numa doença específica; precisamos caracterizar a doença do paciente", afirma Mari.

Nessa "psiquiatria personalizada" do futuro, a entrevista com o psiquiatra seria apenas parte de um processo de análise clínica, envolvendo uma série de testes de referência, desde exames de sangue (para medir o nível de certas proteínas) até exames de DNA (para identificar perfis genéticos), ressonâncias magnéticas e testes cognitivos.

"Os sintomas devem ser o ponto de partida para o diagnóstico, não o seu fator determinante", afirma Cuthbert.

Para colocar esse novo paradigma em prática, serão necessários ainda muitos anos de pesquisa sobre a genética e a neurobiologia das doenças mentais, e sobre como esses fatores biológicos interagem com fatores ambientais e comportamentais do paciente (como uso de drogas, estresse ou exposição a eventos traumáticos).

"Estamos falando do início de um grande experimento. Os resultados vão levar anos para aparecer, mas não podemos perder tempo; precisamos começar agora", pondera Cuthbert, que coordena desde 2009 um programa do NIMH chamado RDoC, com o objetivo de financiar pesquisas voltadas para esse tema.

Estadão

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Comer peixe pode reduzir os sintomas de depressão

    09 de maio de 2012

    Uma pesquisa anterior sugeriu que o consumo de certas variedades de peixes ricos em ômega-3 os ácidos graxos, o ácido eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA) pode ajudar a aliviar sintomas da depressão.Em um novo estudo, os cientistas analisaram essa conexão através da análise dos dados de 10.480 homens e mulheres que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 2005-2008. A informação incluída consumo de peixe ao longo de um período de 30 dias ea ingestão de EPA e DHA.

    Os resultados mostraram que o consumo de peixe empanados resultou em mais graves sintomas de depressão. No entanto, o aumento do consumo de EPA e DHA em peixes frescos foi significativamente associada com a experiência menos sintomas de depressão.

    Os autores concluíram que a ingestão de peixes ricos em ômega-3 os ácidos gordos podem beneficiar pessoas que sofrem de depressão. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar esses achados.

    Os principais ácidos graxos na dieta humana são omega-3 e ômega-6. Fontes alimentares de ômega-3 são ácidos graxos de óleo de peixe e certas plantas e óleos de nozes. Os ácidos graxos ômega-6 na dieta vem principalmente de óleo de palma, soja (soja), óleo de colza e girassol. Os ómega-9 ácidos gordos não são considerados essenciais, porque podem ser produzidos no interior do corpo. As fontes de ómega-9 ácidos gordos incluem gordura animal e de óleo. O óleo de peixe contém ômega-3 ácidos graxos docosahexaenóico (DHA) e ácido eicosapentaenóico (EPA). Algumas nozes, sementes (linho) e óleos vegetais (canola, soja, linhaça e oliva) contêm ácido alfa-linolênico (ALA), que o corpo pode converter em EPA e DHA.

    A razão óptima de omega-6 e omega-3 é de 4:1, enquanto que a dieta Americana proporciona geralmente uma razão de 20-30:1. Verificou-se que, nos Estados Unidos, a percentagem de DHA e EPA são mais baixos do que em outros países com menos incidência de doenças cardíacas, tais como Japão.

    Tem sido desde há muito conhecido que os ácidos gordos ómega-3 desempenham um papel crítico no crescimento, mas, mais recentemente, tem sido sugerido que proporcionam uma vasta gama de benefícios para a saúde, vários dos quais são bem suportados na literatura, reduções, incluindo no risco de doença cardíaca e regulação do colesterol. Vários estudos que investigam o tratamento de outras condições, tais como câncer e certos distúrbios neurológicos ou psicológicos (depressão e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)), também mostraram resultados iniciais promissores. Devido a estes e outros benefícios de saúde alegados, óleo de peixe, naturalmente ricos em ômega-3 os ácidos gordos, ganhou popularidade como um suplemento dietético.

    Vida e Saúde: Source

    domingo, 6 de maio de 2012

    Neurofeedback: depressão, isquemia e autismo

    06.05.2012 | Atualizado em 06.05.2012 - 08:48

    Treinamento de neurônios: técnica permite tratar depressão, isquemia e autismo. A técnica ensina a desenvolver a concentração, a aprendizagem, a memorização e o equilíbrio emocional

    Carmen Vasconcelos carmen.vasconcelos@redebahia.com.br

    imageQuem encontra Felippo Bello conversando ao lado da mãe, participando das atividades escolares ou interagindo com outras colegas pode imaginar estar diante de uma criança como outra qualquer. Desde cedo, no entanto, a família luta para vencer o autismo, uma disfunção geral do desenvolvimento, que compromete a capacidade de comunicação, a socialização e o comportamento, ameaçando a convivência da criança com o mundo.

    Além do amor abdicado de Adriana, Felippo contou com o auxílio do neurofeedback. A técnica – desenvolvida há 50 anos - consiste numa espécie de treinamento neurológico do cérebro, que ensina a desenvolver a concentração, a aprendizagem, a memorização e o equilíbrio emocional. O processo não utiliza medicamentos, apenas os estímulos.

    Com apenas um ano e meio, em meio aos telefonemas diários, a avó de Felippo percebeu que algo havia de estranho com o pequeno. A experiência com a educação de crianças especiais ajudou a identificar o isolamento do mundo. Em seguida, a família percebeu a fala desconexa e  a dificuldade de construir frases.
    Desde então, a mãe de Felippo, a empresária Adriana Nogueira, travou uma luta pessoal em busca de mecanismos e tratamentos que facilitassem e emprestassem mais qualidade à vida do filho.

    Mesmo diante de diagnósticos confusos que, por vezes, apontavam para a Síndrome de Asperger (que consiste num espectro autista que se diferencia do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo, os portadores são também conhecidos como autistas de alta performance), ela não perdeu a fé de encontrar uma forma de reconectar Felippo.

    “Sempre soube que não havia cura para o autismo, mas, através do neurofeedback, descobri que é possível que o portador se desenvolva por meio da interação social e cognitiva, regredindo total ou parcialmente alguns sintomas e comportamentos”, diz Adriana Nogueira.

    Neurofeedback
    imageO psicólogo especializado em neurofeedback nos Estados Unidos e Mestre em Neurociência pela Universidade de São Paulo(USP), Leonardo Mascaro explica que, na prática, o tratamento consiste, inicialmente, na realização de exames com o tomográfo, que descreve as bases neurológicas de cada paciente.

    A partir da leitura eletroencefalográfica, são identificados as estruturas profundas do comprometimento que acomete o cérebro do paciente e, melhor ainda, viabilizam o treinamento destas estruturas cerebrais. “Com o resultado da leitura do mapa, condicionamos os neurônios através de estímulos diversos”, explica.

    Leonardo esclarece que, embora clinicamente e do ponto de vista dos sintomas, muitas doenças de cunho neurológico -  como déficit de atenção e TOC, ou dislexia e quadros de anóxia – imitem umas as outras, o exame permite que haja uma diferenciação clara, evitando erros no diagnóstico e, conseqüentemente no tratamento, inclusive, o medicamentoso.

    O resultado do tratamento por neurofeedback é demonstrado através de mapas obtidos no início e no final do tratamento de cada paciente, evidenciando cada condição de sua evolução. O tratamento é válido não só para os casos de autismo, mas também no tratamento da dislexia, déficit de atenção, ansiedade, depressão e pânico, além de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), estresse pós-traumático, fadiga crônica e fibromialgia, insônia, bem como quadros iniciais de Alzheimer, traumatismo crânio-encefálico e de isquemia ou derrame.

    “Cada vez mais é possível desenvolver as potencialidades do cérebro. Na última década, a tecnologia permitiu o alcance de uma evolução sem precedentes, fazendo com que o tratamento não medicamentoso dessas diversas condições seja uma realidade”, esclarece Mascaro.

    O especialista revela que o neurofeedback não possui contra indicações, nem mesmo para aqueles pacientes portadores de deficiência visual ou auditiva. “Conforme o trabalho acontece, novos mapeamentos são feitos e ajustes no tratamento são destacados”, diz .

    Fonte: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/treinamento-de-neuronios-tecnica-permite-tratar-depressao-isquemis-e-autismo/

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