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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aplicativo que dá independência a deficientes visuais no cinema

28.out.2014 - Aguinaldo Pestana testa aplicativo com audiodescrição disponível para o filme "A Despedida" Reinaldo Canato/UOL

Aguinaldo Pestana, 52 anos, é deficiente visual desde 1997, quando levou um tiro durante um assalto em São Paulo. A bala, que atravessou sua cabeça, danificou seu nervo óptico e lhe tirou totalmente a visão. Depois de 17 anos, o contabilista diz ser 95% independente, graças à tecnologia. Com seu smartphone, ele consegue escolher a roupa, acertar o caminho de casa, conversar com os amigos por mensagem de texto, pagar contas, fazer compras...
Nesses 5% de dependência está a tarefa de ir ao cinema. Para entender o que está na tela, além dos diálogos dos personagens, é preciso contar com a boa vontade de quem está ao lado para descrever o contexto das cenas. "É muito difícil que a pessoa ao seu lado tenha paciência de te contar o que está se passando na tela", diz ele ao UOL. Mesmo quando há vontade do acompanhante, corre-se o rico de ouvir muitos "shius" e "psius".
O problema de Aguinaldo e de outros deficientes visuais, no entanto, está mais próximo de ser resolvido, pois já há aplicativos que permitem que a audiodescrição do filme seja baixada em smartphones e tablets antes da sessão. O UOL convidou Aguinaldo para testar o MovieReading, em uma sessão do filme brasileiro "A Despedida", de Marcelo Galvão, presente na programação da Mostra de São Paulo. O recurso ainda está em fase de testes e o filme de Galvão foi o único do evento a aderir à novidade. Disponível para as plataformas Android e iOS, o aplicativo e o áudio podem ser baixados gratuitamente.

Como funciona
Recomenda-se que o download do aplicativo e da audiodescrição do filme seja feito em casa para não depender da conexão da sala do cinema. É aconselhável ainda um teste simples de compatibilidade, que deve ser feito em frente a um computador com auto-falantes. Para a sessão, o usuário precisará de fones de ouvido com microfones. As instruções acompanham o aplicativo.
Desenvolvido na Itália, o programa tem o mesmo princípio do Shazam, que reconhece músicas gravadas e que, em alguns casos, reproduz a letra das canções. No caso do MovieReading, a audiodescrição é sincronizada à obra assim que o microfone do dispositivo reconhece o áudio do filme.

Quando fiquei cego, percebi que outros cegos deixavam de estudar por não saberem lidar com computadores e celulares. Sempre que eu posso, ajudo cegos a aproveitarem a tecnologiaAguinaldo Pestana

O narrador descreve o que é importante para cena e perceptível apenas aos olhos, como "ela acende um cigarro e se senta perto da janela", ou "ele amarra o cadarço do sapato preto e caminha até a porta". A audiodescrição não é novidade no Brasil, mas sua inclusão em sessões de cinema ainda é pouco prática. Antes do aplicativo, um narrador precisava de um espaço para narrar o filme ao vivo, com transmissão para fones de ouvidos distribuídos antes da sessão.
Avaliação do aplicativo

Aguinaldo permaneceu calado durante toda a sessão, mas reagiu assim que o letreiro subiu pela tela grande da sala 3 do Espaço Itaú, no Shopping Frei Caneca. "Decidi que ia avaliar o aplicativo de acordo com o número de perguntas que precisaria fazer para entender o filme. Não precisei fazer nenhuma", explicou ele.
Mesmo interessado em falar do aplicativo, ele também quis comentar a obra. "Eu achei o filme picante". No filme, vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado deste ano, Nelson Xavier vive Almirante, um homem com mais de 90 anos que decide levantar da cama e se despedir da vida e da amante, Morena (Juliana Paes).
Na mesma sessão ainda estavam outros três deficientes visuais. Entre eles, Paulo Romeu Filho, que cuida do Blog da Audiodescrição. "As pessoas que nos acompanham nas sessões – amigos, familiares – também querem prestar atenção no filme. Muitas vezes pergunto o que está acontecendo e recebo como resposta: 'peraí que já te conto'. Sem a audiodescrição, provavelmente sairia irritado do filme".

Olhos para o produtor de "A Despedida"

Como acontece com a maioria dos filmes nacionais da Mostra, a exibição de "A Despedida" contou com a presença do diretor, Marcelo Galvão, e foi encerrada com perguntas do público. Apesar da qualidade do longa, a plateia, formada por maioria vidente, fez perguntas somente sobre a eficiência e funcionamento do aplicativo.

Trabalhando com audiodescrição desde "Colegas", filme que venceu o Festival de Gramado de 2012, Galvão disse que foi atrás do recurso em função do produtor e amigo Marçal Souza, que perdeu a visão em 2007.  "Queria que o Marçal 'visse' os filmes que ele faz, mas também queríamos um jeito mais fácil de fazer isso. Em contato com o Maurício [Santana], fiquei sabendo do aplicativo e fizemos essa parceria".

Maurício Santana está à frente da Iguale, empresa que trabalha com audiodescrição desde 2008. "Além de mais prático, por não exigir estrutura da sala, o áudio do aplicativo tem mais qualidade por ser previamente gravado e não receber interferências de ruídos exteriores", disse Maurício. O projeto para "A Despedida" foi feito em parceria com Mimi Aragón e Kemi Oshiro. O aplicativo também conta com legendas acessíveis para pessoas com deficiência auditiva.
Ensinando independência

Quando Aguinaldo perdeu a visão, seus dois filhos eram pequenos --Bárbara tinha quatro anos e Bruno Rafael, um ano e meio. "Meu maior medo era ficar dependente das pessoas", diz o contabilista.

O período da adaptação foi sofrido, até porque há pouco apoio mesmo de quem está mais próximo. "Quando você fica cego, todos acham que morreu e não te chamam para mais nada".
Com mais um ponto positivo para a independência, Aguinaldo diz que vai contar a experiência para outros deficientes visuais. Aposentado, ele se dedica há três anos, por meio de um webcast, a ensinar deficientes visuais a mexerem em smartphones táteis.
"Quando fiquei cego, percebi que outros cegos deixavam de estudar por não saberem lidar com computadores e celulares. Sempre que eu posso, ajudo cegos a aproveitarem a tecnologia. Hoje, há mais de mil aplicativos que podem ajudar os cegos". Seu programa, "
Contraponto", vai ao ar todas as segundas-feiras, às 20h, e é uma iniciativa da Associação dos Ex-alunos do Instituto Benjamin Constant.

Fonte: http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/10/30/uol-testa-aplicativo-que-da-independencia-a-deficientes-visuais-no-cinema.htm

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tecnologia facilita a vida dos deficientes visuais

 

 

A tecnologia assistiva – aquela que transforma a vida de pessoas com necessidades especiais – é uma área que avança a passos largos e contínuos; sempre há novidade e gente inteligente quebrando a cabeça para melhorar a vida de quem realmente precisa.
Entre os deficientes visuais, uma ferramenta muito popular é o leitor de tela para computadores. O software de interação via áudio com o micro permite que o cego tenha uma vida online completa, mas essa inclusão digital promete ganhar uma nova realidade com a linha braile.

A linha braile é a conexão direta e completa do deficiente visual com o mundo digital; claro, em braile.
"É bem mais importante porque a gente tem acesso à grafia e ela nos dá autonomia porque tudo na tela está em braile", afirma Wilcler Vieira, analista de suporte / Tecassistiva.
"Avançando ou retrocedendo, você tem acesso a todo o texto que está ali no computador, com várias linhas de atalho, que são facilmente compreensíveis", conta Alessandro Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

De volta ao mundo offline, outros equipamentos também já disponíveis no Brasil contribuem bastante para uma maior autonomia dos deficientes visuais. Um bom exemplo é este leitor autônomo...

"Você coloca o documento em cima do equipamento. Ele nem tem tampa, então é muito fácil de utilizar, passando a ler o arquivo automaticamente", afirma Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

Através de uma microcâmera e um software de reconhecimento de texto, o equipamento fotografa o documento e o transforma em áudio para que o usuário possa ouvir o que está escrito.

"Fica muito difícil ler as correspondências que chegam em sistema comum sem uma pessoa para ler para a gente. Com o scanner, nós passamos a ter autonomia".

Todos esses equipamentos são importados (e caros), mas já contam com um incentivo do governo para a redução de impostos e diminuição dos custos. As linhas brailes e os leitores autônomos já podem ser encontrados em algumas redes de ensino e até em instituições, como é exemplo o Sesc de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Aqui a biblioteca está equipada com um scanner com as mesmas funções do leitor autônomo. O equipamento é capaz de reconhecer e ler qualquer texto...

"Esse equipamento facilitou muito o acesso porque eles podem vir à biblioteca e utilizar qualquer livro através do equipamento", diz Tatiana Amorim, bibliotecária / SESC Sorocaba

Outro novo dispositivo que chama a atenção é esta máquina fusora. A máquina oferece uma experiência tátil para o cego além do braile. Com ela, o deficiente visual é capaz de, por exemplo, reconhecer um desenho, uma planta de um apartamento e até uma assinatura.

"É a reação deste papel especial com a tinta preta - que contém muito carbono - e na temperatura correta, dá este alto relevo. Isso dá a possibilidade de uma pessoa com deficiência visual aprender geografia e geometria", afirma Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

Segundo o IBGE, no Brasil são mais de sete milhões de cegos e outros 21 milhões de pessoas com baixa visão. A tecnologia, na medida em que se populariza e se torna acessível à essa população, é uma ferramenta indispensável para devolver a autonomia e oferecer uma nova realidade ao deficiente visual.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Deficiente visual surpreende por habilidade com sanfona e improviso musical

Dóro Brasamundo exibe suas habilidades em uma pequena cidade do norte de Minas Gerais. Deficiente visual, ele consegue tocar sanfona em várias posições, além de se destacar como mestre do improviso. Ele é repentista e se apresenta lado do violeiro Gesão do Vale. Veja!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Deficiente visual surpreende por habilidade com sanfona e improviso musical

Dóro Brasamundo exibe suas habilidades em uma pequena cidade do norte de Minas Gerais. Deficiente visual, ele consegue tocar sanfona em várias posições, além de se destacar como mestre do improviso. Ele é repentista e se apresenta lado do violeiro Gesão do Vale. Veja!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pesquisa de cientista português descobre terapia contra tipo de cegueira

Iniciada há 20 anos, ela pode reverter perda de visão causada pela coroideremia; técnica pode ajudar em outros casos, mostram estudos

Uma pesquisa iniciada há 20 anos pelo médico português Miguel Seabra, 51, resultou na descoberta de uma terapia genética para reverter a perda de visão progressiva causada pela coroideremia, uma doença hereditária até o momento sem cura. Os resultados clínicos iniciais, publicados na prestigiosa Lancet, sugerem que o mesmo tipo de terapia poderia ser aplicada em casos mais comuns de cegueira – como a degeneração macular relacionada com a idade, a terceira principal causa de deficiência visual no mundo.


Cirurgia feita na Universidade de Oxford, em Londres, em paciente em tratamento com a terapia

O tratamento consiste em substituir os genes CHM, defeituosos em pessoas com coroideremia, por cópias saudáveis. O processo é feito por meio de uma cirurgia que descola a retina e introduz um vírus inofensivo portador das cópias genéticas. Uma vez na retina, o gene saudável produz proteína e impede o processo de deterioração das células fotorreceptoras. É a primeira vez que uma terapia genética é aplicada nas células humanas sensíveis à luz.

Para chegar a esse tratamento, foi preciso primeiro decodificar a função do gene responsável pela patologia e estudar seu mecanismo em ratos de laboratório – processo que rendeu a Seabra o prêmio “Seeds of Science” em 2012. “Os resultados superaram nossas expectativas”, comemorou Seabra em entrevista a Opera Mundi. “Em apenas vinte anos partimos da detecção do gene para o tratamento da doença, isso é encorajador”, afirmou. O português foi o líder científico da fase pré-clínica do projeto, cujos testes em humanos foram desenvolvidos na Universidade de Oxford, sob comando do oftalmologista Robert McLauren.

Todos os seis pacientes entre 30 e 63 anos que se submeteram à cirurgia apresentaram melhoras, sendo inclusive revertidos os danos à visão daqueles cuja doença estava mais avançada. Ainda não há certeza se os efeitos serão definitivos – mas têm permanecido estáveis há pelo menos dois anos, tempo em que o primeiro paciente começou a ser acompanhado.


O desafio em Portugal

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa, Seabra desenvolveu sua  carreira – e sua notória pesquisa – no exterior, e hoje tem mais de 100 artigos científicos publicados e 7.500 citações de trabalhos de sua autoria. Concluiu o doutorado na Universidade do Texas, onde também foi professor. Tornou-se docente titular no Imperial College de Londres -cotada entre as dez melhores universidades do mundo-, antes de regressar a Portugal.

[Miguel Seabra também preside agência de formento à pesquisa em Portugal]

Desde 2012 preside a agência nacional de fomento à pesquisa no país (na sigla, FCT). É precisamente no cargo que Seabra tem acumulado críticas da comunidade científica portuguesa, descontente com a fuga de cérebros do país e os cortes ao número de bolsas concedidas – que chega a 40% nos níveis de doutorado e 65% de pós-doutorado em relação a 2013. Não há informações oficiais sobre desemprego ou emigração científica.

“Queremos um sistema mais competitivo”, defende Seabra. A estratégia é diminuir a dependência dos cientistas do Estado e incentivar a competitividade e a busca de financiamento em empresas ou editais internacionais. Isso se reflete nas taxas de aprovação nos concursos nacionais para bolsas, que caiu de cerca de 40% para menos de 10%. De outro lado, pesquisadores e associação de bolsistas têm se contraposto a tal política, alegando ser penosa à ciência a médio e longo prazo, além de não resolver – e, em alguns casos, piorar – a burocracia.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33899/pesquisa+de+cientista+portugues+descobre+terapia+contra+tipo+de+cegueira.shtml

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Cartório se recusa a atender advogado deficiente visual

Alegação do órgão é de que “o deficiente pode não saber o que está assinando”; vítima registrou queixa na Polícia e no Ministério Público

O deficiente visual Neyrimar Barreto participou de reunião de instrução para julgamento que acontecerá na próxima segunda-feira (2)

Neyrimar Barreto é conhecido por ter sido o primeiro deficiente visual a compor um júri na Justiça amazonense (Clóvis Miranda)

O advogado Neyrimar Furukawa Barreto, 45 anos, conhecido por ter sido o primeiro deficiente visual a compor um júri na história da Justiça amazonense, em agosto do ano passado, teve um pedido de reconhecimento de assinatura recusado pelo Cartório Rabelo, antigo Cartório Leite, localizado na Av. Djalma Batista, Zona Centro-Sul de Manaus, na manhã desta terça-feira (28).

Segundo Neyrimar, o pedido foi recusado por preconceito. “Fui eleito presidente de uma instituição, e precisava fazer a mudança na Receita Federal. Para isso é necessário assinar um Documento Básico de Entrada (DBE), com reconhecimento em cartório. Eu já fiz outros documentos, tenho até um cartão de autógrafo registrado lá, mas, desta vez, o atendimento me foi negado”, afirma o advogado.

E prossegue: “O tabelião que me atendeu disse que eu sou ‘relativamente capaz’, e que por isso seria necessário constituir um procurador para poder reconhecer a assinatura. Isso é absurdo: um procurador para reconhecer a minha própria assinatura?”, questiona.

Neyrimar chegou a indagar do tabelião se o fato dele ter realizado procedimentos similares no mesmo cartório não seria suficiente para provar sua capacidade. “Ele me disse então que, se isso foi feito, está errado”, conta.

Documento em Braille
Procurado por A CRÍTICA, o tabelião substituto do Cartório Rabelo, Luiz Lima, afirmou que, em casos de deficientes visuais, é necessário que o documento seja em Braille, ou que seja feita uma leitura em voz alta antes de qualquer procedimento. Como nenhum dos rituais foi cumprido, não foi possível reconhecer a assinatura. “O princípio é que o deficiente pode não saber o que está assinando”, esclarece.

O advogado contesta: “Se o caso é só reconhecer a minha assinatura, o que há para ler em voz alta? E não conheço documento oficial redigido em Braille no Brasil”, afirma Neyrimar.

OAB explica

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Amazonas, Epitácio Almeida, informou que pessoas com deficiência visual têm direito a total acessibilidade e, como tal, não podem sofrer qualquer obstrução no acesso à Justiça. “Se há a necessidade de obter algum serviço do Judiciário, então o deficiente deve ter plenos meios de consegui-lo. Recusar, adiar, procrastinar o acesso do deficiente é ferir a igualdade das pessoas perante a Lei, o que é crime passível de punição”, explica Epitácio.

Fonte: http://acritica.uol.com.br/manaus/Deficiente-visual-atendimento-negado-cartorio_0_1074492586.html

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Biblioteca do TRT-2 disponibiliza material acessível para pessoas com deficiência visual.

Em conformidade com a política de inclusão social e acessibilidade para as pessoas com deficiência, o TST enviou à biblioteca do TRT-2 material acessível aos usuários com deficiência visual: livros e cartilhas em braile ou caracteres aumentados, e também CD’s, DVD’s e pendrives com textos e artigos, para serem utilizados com o auxílio de programas de leitura, desenvolvidos especialmente para deficientes com cegueira.

Os materiais recebidos são: pendrive com a versão escrita e em áudio da Cartilha de Acessibilidade na Justiça do Trabalho, bem como a legislação concernente à pessoa com deficiência; CLT impressa em braile; Cartilha de Acessibilidade na Justiça do Trabalho impressa em braile; Cartilha contendo o texto da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência e de seu Protocolo facultativo, além da legislação que aprovou e promulgou a referida convenção; Livro com caracteres ampliados, CD com audiolivro, DVD com vídeo em Libras contendo esta mesma convenção, também disponível em braile, além de artigos, decretos e leis com versões em arquivo “pdf”.

A biblioteca Dr. Nebrídio Negreiros fica no 10º andar do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Av. Marquês de São Vicente, 235 – Barra Funda, São Paulo/SP, e atende de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 18h. Servidores lotados em prédios distintos da Biblioteca podem receber/devolver o material por malote.

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região São Paulo, por Alberto Nannini, 13.12.2013

Retina biônica pode devolver a visão aos cegos

Cirurgia para implantar a retina biônica dura 30 minutos

A recuperação da visão nos cegos foi sempre um argumento de ficção científica, mas uma empresa israelense a está transformando em realidade para pacientes que sofrem cegueira pela deterioração da retina.

Trata-se de um dispositivo do tamanho de um grão de arroz, que emula a função da retina capturando os sinais visuais como uma câmera, para depois transformá-los em sinais elétricos que estimulam os neurônios para criar as imagens no cérebro.

O chip foi testado com sucesso em porcos e a empresa Nano-Retina, com sede na cidade israelense de Herzliya, prevê que contará com um protótipo humano de sua denominada Bio-Retina dentro de dois anos.

"No prazo de uma semana o paciente poderá ver de forma imediata", garantiu à Agência Efe o diretor-executivo da companhia, Ra'anan Gefen.

"Queríamos dotar um cego de suficiente visão que lhe permita ser novamente independente, caminhar por lugares familiares e ver seus entes queridos", acrescentou o diretor.

O dispositivo é implantado na parte posterior do olho em uma operação relativamente simples, similar a uma de catarata que dura 30 minutos e só requer anestesia local.

A visão que obterá o paciente lhe permitirá ver televisão e identificar rostos graças a uma resolução de 600 pixels (o modelo mais sofisticado), pois os criadores estudaram que 260 pixels é o mínimo para ter um nível de visão aceitável.

No entanto, esta será em preto e branco, e os implantados também não poderão dirigir ou ler letras que não sejam de grandes dimensões.

"A ciência ainda não conseguir superar o preto e branco neste terreno, mas pretendemos ir adiante e oferecer uma escala de cinzentos para que possam apreciar sombras e contornos", explicou Gefén.

Além da facilidade para introduzir o dispositivo no olho, este não possui bateria e sua implantação será definitiva, uma vez que sua única fonte de energia procede de óculos de sol especialmente projetados que transmitem sem fio um laser diretamente ao chip e podem ser recarregados durante as noites.

A Bio-Retina atua também de maneira harmoniosa com os movimentos naturais do olho, inclusive os do globo ocular ou a dilatação das pupilas, o que facilitará ao paciente olhar de lado a lado sem a necessidade de ter de girar a cabeça.

Por enquanto, a revolucionária invenção resolverá a vida a pacientes com retinose pigmentar e degeneração macular associada à idade (AMD, na sigla em inglês), transtornos comuns a partir dos 60 anos.

Mas os responsáveis pela retina biônica preveem que no futuro se abrirá o terreno ao tratamento de doenças como a retinopatia diabética, ou aquelas nas quais o foto-receptor se atrofia e não pode funcionar outra vez devido a que não há células que possam traduzir a luz que chega à retina em uma visão útil.

"Nestas condições, nosso dispositivo poderia atuar como um foto-receptor artificial", declarou o diretor israelense.

No entanto, o dispositivo não serve para aqueles que nasceram cegos ou sofrem dolências não relacionadas com lesões retinais.

No mundo ocidental calcula-se que seis milhões de pessoas sofrem cegueira ou pouca visão como consequência de doenças ou lesões provocadas pela degeneração da retina.

Para levar adiante este sofisticado produto a empresa israelense colabora com equipes científicas e indústrias no mundo todo, a fim de estudar a melhor solução para determinados problemas.

O fato de ter precedentes em outros produtos planejados há uma década que ofereciam uma pior visão encoraja os diretores da Nano-Retina, uma sociedade conjunta da norte-americana Zyvex Labs do Texas e da israelense Rainbow Medical.

Gefen defende que graças a eles sabem que "o conceito funciona", e as agências reguladoras o aprovaram, motivo pelo qual confiam em poder levá-lo em breve ao mercado.

Calcula-se que o preço para o paciente, incluída a implantação, rondará os US$ 2 mil, e os criadores obterão lucro através das agências seguradoras médicas.

"Trata-se de uma tecnologia de ponta, o esforço de um grupo internacional para uma missão muito nobre, restabelecer a visão aos cegos", concluiu Gefen.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Projeto faz pais deficientes visuais “verem” o feto

Iniciativa reproduz feto de resina em 3D gratuitamente

Por Ana Paula Machado, filha de Nirleide e Jonas

Você já parou para pensar como é a gestação de uma deficiente visual? Sem dúvida, as características e sintomas são os mesmos, mas é na forma de sentir o bebê que está a diferença. Por ter os outros sentidos mais aguçados, elas são capazes de perceber detalhes que para mulheres sem a deficiência é um pouco mais difícil de identificar. Nada comprovado, mas elas dizem que, pelo costume de prestar mais atenção a movimentos e sons, conseguem perceber posições que são confirmadas mais tarde no ultrassom, por exemplo.

“Como não tenho a visão, acabo prestando mais atenção nos detalhes, como a posição do meu filho e o que ele está fazendo. Se me chuta, não sei se foi com o pé ou com joelho, mas sei que foi com o lado esquerdo. E quando o médico descreve a posição em que ele está sempre é do mesmo jeito que eu imaginava”, contou Ana Paula Silveira, fisioterapeuta, filho de Maria Izabel e José, deficiente visual desde os 7 anos de idade e que está grávida de 8 meses.

O ginecologista e obstetra especialista em medicina fetal, Heron Werner, pai do Enzo, diz que “a pessoa que tem a deficiência visual de longa data desenvolve outras compensações. Elas prestam mais atenção e naturalmente focam mais do que as outras. Então elas têm mais percepção de movimento”, diz.

O pré-natal é igual, os exames e as consultas seguem da mesma maneira. O que muda é que, durante o ultrassom, o médico se torna também um narrador. Justamente por não enxergarem o bebê que está se formando, a única forma de conhecer o máximo de detalhes do filho é se alguém disser tudo o que está vendo, nos mínimos detalhes. Tem quem leve amigas e até contadores de histórias para ajudar o médico nessa hora.

Bebê impresso

Além de imaginar e sentir o bebê dentro da barriga, os deficientes visuais podem tocar as formas do feto. Um projeto com apoio do Instituto Tecnológico do Rio de Janeiro reproduz fetos em 3D gratuitamente para cegos. “Nunca me preocupei pelo fato de ser deficiente visual, mas, como engravidei sem planejar, na hora do choque passa esse tipo de pensamento pela cabeça. E eu sempre imaginei como seria o ultrassom”, contou Ana Paula, que desde o início da gestação teve acesso ao feto 3D.

O ginecologista Heron Werner é um dos idealizadores do projeto e diz que, desde o início, em 2011, já acompanhou sete mulheres na mesma situação. Ele conta que continua narrando o ultrassom, porque, depois, com a reprodução em mãos, as mães revivem o processo e confirmam os detalhes que ouviram, além de acrescentar mais alguns.

“Do mesmo modo que uma mãe se emociona ao ver as imagens na tela do ultrassom, eu sinto a emoção de pegar no meu filho. Por mais que os médicos tenham a preocupação de descrever todo o exame, a sensação de sentir o bebê nas minhas mãos não se compara”, contou Ana Paula, que está fazendo todo o pré-natal pelo SUS e define o trabalho como de caráter inclusivo e de acessibilidade.

As fases

A reprodução é feita em resina e realizada três vezes durante a gestação, uma por trimestre. Elas são baseadas nos exames de ultrassonografia e ressonância magnética, e até 2011 eram destinadas apenas a estudos, mas, como deu muito certo, os especialistas pensaram também nos deficientes visuais.

“A qualquer idade da gestação é possível fazer a impressão do feto em 3D, desde que os exames sejam de boa qualidade”, diz o médico. Por exemplo, no final da gestação, já quase sem espaço, o bebê fica espremido, e a imagem pode ficar deformada. Mas este vai ser o mesmo problema que a mulher sem a deficiência vai ter ao realizar o exame.

A primeira impressão do bebê em 3D é feita por vota de 12 semanas de gestação, quando só com o ultrassom é possível ter a reprodução do corpo inteiro. Nesta fase ainda não é possível sentir os detalhes da face ou qualquer outro apenas com o toque. Alvaro Zermiani, marido de Ana Paula, jornalista, e também deficiente visual, conta que nesta fase só conseguiu perceber as formas do corpo do bebê. E Ana lembra: “O médico me disse que o bebê estava cobrindo o sexo com a mão, e quando, chegou a reprodução, era exatamente isso que ele estava fazendo”.

A segunda reprodução pode ser feita entre a 20ª e a 22ª semana, mas desta vez, é apenas o rosto do bebê que vai ser impresso. “Com o ultrassom só conseguimos fazer uma reprodução do corpo inteiro até 16 semanas de gestação. Depois, só é possível reproduzir por partes”, explica o médico.

Alvaro contou que, quando recebeu a segunda reprodução, apenas do rosto, foi fácil saber com quem o filho se parece mais. “Ela percebeu que era parecido comigo pelo formato do nariz, da boca. E eu também senti que as características são minhas”, disse.

A terceira impressão 3D do bebê é feita através da ressonância magnética, que capta informações do corpo todo em uma imagem só. Apesar de o bebê estar espremido no útero, é uma das reproduções que mais deixam os pais ansiosos. “Ter a possibilidade, sem enxergar, de conhecer o nosso filho, é uma dádiva”, disse Alvaro.

sábado, 30 de novembro de 2013

Deficiente visual é bronze na final do campeonato de Judô

Próxima competição do atleta será a Corrida Inclusiva, na cidade de Mogi Guaçu

Jornal Diário Regional
O jovem fernandopolense Gustavo Fontes Mafra esteve na cidade de Natal/RN, onde participou no ultimo sábado, dia 23, da final do Grand Prix de Judô para Cegos.

No campeonato, realizado no ginásio Federal de Natal, participaram deficientes visuais -total e parcial - vindos de diversas regiões do Brasil e de países como a Argentina, Uruguai e Romênia.

Mesmo sem patrocinadores e contanto apenas com a solidariedade e o carinho de alguns amigos, Gustavo foi a Natal com sua mãe Célia Fontes Mafra e sua treinadora Emiliana Pires.
Sempre muito confiante na sua atuação no tatame, o jovem mostrou garra, determinação e conquistou lugar no pódio como medalhista de bronze em sua categoria.

A classificação
Gustavo foi classificado entre os melhores do Brasil no mês de abril deste ano, na cidade de São Paulo, oportunidade em que participou da primeira etapa do campeonato, ficando entre os 10 primeiros colocados na categoria iniciante.

O atleta está filiado na Confederação Brasileira de Desportos para Cegos desde o ano de 2008 e em 2014 enfrentará mais dois campeonatos no Brasil e possivelmente irá ao México, no final do ano que vem.

“Gustavo não desiste, tem força, fé e perseverança, além do judô ele irá participar da Corrida Inclusiva na cidade de Mogi Guaçú, no próximo domingo, na etapa cinco quilômetros, junto com outros assistidos da ADVF (Associação dos Deficientes Visuais de Fernandópolis), sendo eles: Valdeci, Otamar, Cilso, Jaime, Ricardo e Diego, cada um terá seu guia para poder auxiliá-los no trajeto da corrida”, comentou Célia.

Para a Corrida Inclusiva, a Prefeitura Municipal de Fernandópolis cedeu o microônibus que vai fazer o transporte dos atletas e seus guias.

Deficiente visual é proibido de ficar em loja junto de cão-guia

Gabriel e Júlia: parceiros há pouco mais de um ano

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Deficiente visual desde o nascimento, o analista de sistemas Gabriel Vicalvi, de 28 anos, passou por apuros no último dia 20. Em uma loja de um shopping em São Caetano do Sul foi proibido de ficar no estabelecimento por estar com seu cão-guia, a golden retriever Júlia, de 4 anos. Entenda o ocorrido:

O que aconteceu?

Entrei em loja de artigos importados no ParkShopping São Caetano para comprar um presente para minha namorada. Minha prima de 11 anos foi comigo, enquanto minha namorada e meus tios esperavam no corredor. Fiquei aguardando que alguém me atendesse, mas não obtive resposta.

Pouco depois, um funcionário me abordou dizendo que eu não poderia entrar lá com meu cachorro. Expliquei que estava dentro da lei: os cães-guias podem circular por qualquer espaço público. Ele continuou sendo arrogante. Fiquei constrangido. Disse que se ele quisesse que eu saísse, teria que chamar a polícia. O rapaz me deixou lá sozinho, dei uma volta na loja para mostrar como a Júlia é tranquila e fui embora.

Gabriel em frente à loja onde teve problemas: repercussão na internet

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O que fez em seguida?

Pensei em ir na delegacia, mas como era feriado preferi evitar essa dor de cabeça. Publiquei a história no Facebook e milhares de pessoas compartilharam. A empresa escreveu um comunicado pedindo desculpas.

Isso já ocorreu antes?

Sim, mas em todas as vezes eu expliquei sobre a lei e a pessoa acabou compreendendo. Muita gente não sabe e acha que se trata de um cachorro comum.

Há quanto tempo está com a Júlia?

Há pouco mais de um ano. Ela me acompanha o dia inteiro, dentro de ônibus e metrô, quando vou para o trabalho e para a faculdade à noite. Andei mais de vinte anos com a bengala. Quando ela entrou em minha vida, precisei me entregar totalmente. É preciso ter plena confiança na condução dela.

Momento do chamego: Júlia tem uma página do Facebook com mais 2000 seguidores

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Por que criar uma página do Facebook para ela?

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Só há oitenta cães-guia no Brasil. Sinto-me privilegiado em ser uma das pessoas beneficiadas. O site é um modo de divulgar o trabalho dela e fazer com que as pessoas apoiem mais a causa. Ela faz bastante sucesso, tem mais de 2000 seguidores.

O que a Júlia gosta de fazer?

Ela não pode brincar com bolinha, pois há muita gente jogando bola na rua e isso pode distraí-la. Mas ela ama morder garrafas pet e ir na piscina.

Amiga de todas as horas: a cadela o acompanha no trabalho e na faculdade (Fotos:

Facebook Gabriel Vicalvi)

 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

'Sensação maravilhosa', diz deficiente visual após voo de parapente no RS

Três pessoas com problemas de visão saltaram de parapente na Serra.
Aventura emocionou os participantes de associação de deficientes visuais.

Após a iniciativa de uma professora, três deficientes visuais tiveram a chance de saltar de parapente de uma altura de mais de 700 metros do Ninho das Águas, em Nova Petrópolis, na Serra do Rio Grande do Sul. As explicações e orientações, que são essenciais para qualquer novato no parapente, foram ainda mais importantes para esses alunos, como mostrou a reportagem do Teledomingo, da RBS TV (veja o vídeo).

A aventura emocionou os participantes da Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais, que oferece reabilitação para cerca de duzentas pessoas em Caxias do Sul. “A sensação é maravilhosa de se sentir um pássaro. Não dá nem tempo de pensar as coisas, só sentir. Tinha mesmo que sentir o prazer de voar. Muito legal sentir o vento batendo no rosto”, diz Lauri aplaudindo o passeio.

Tudo começou quando a professora Quelen Biondo, que dá aulas de educação física na instituição escreveu para a escola de parapente perguntando o preço de um salto para os alunos. A resposta foi um presente: três voos de graça para sortear entre eles.

Quelen está acostumada a incentivar pessoas que precisam superar limites todos os dias. “Eu vim aqui em um dia normal fazer um passeio . Aí me deu aquela ideia: tentar fazer um voo para deficiente visual. Eu fiquei imaginando como seria a sensação deles, fiquei com esta curiosidade”, contou.

Um dos ganhadores foi a aposentada Angeliz dos Reis. “Depois que eu fiquei com problemas nos olhos, eu comecei a fazer coisas que eu jamais imaginei fazer na vida. Tudo o que eu faço é um desafio para os meus filhos. Eles sempre acham que eu não posso. Mas eu posso, posso fazer o que eu quero”, contou a aposentada chorando.

O equipamento completo foi revisado várias vezes antes da decolagem. Os cuidados são obrigatórios e trazem segurança para quem pratica o esporte. “Meus filhos lá em casa me chamaram de louca, meus irmãos disseram que era perigoso, que iria cair”, se diverte Juscelei Aparecida Pereira, que completa o trio de aventureiros.

“É muito legal, parece que está parado. Dá um friozinho na barriga”, completa Angeliz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como ler para bebês cegos?

Alessandra Roscoe usa perfume para falar das flores durante a leitura sensorial (Adriana Franzin/EBC)

É pequena a oferta de livros impressos em braile ou com áudio. Além disso, a alfabetização no método é mais complexa e lenta que no modo convencional.  Mas não é preciso saber ler nem ter livros adaptados para se tornar um leitor. Crianças muito pequenas são capazes de ler histórias de outras maneiras e com outros sentidos, no caso das que não enxergam. Acreditando nessa potencialidade, a escritora Alessandra Roscoe promove leituras para bebês cegos ou com deficiências visuais severas.

Ela usa vários artifícios sonoros, como instrumentos musicais, caixinhas de música, chocalhos e outros instrumentos criados para imitar barulho de chuva, de sininhos; cria ambientes envolventes, espalhando perfume quando fala de flores, por exemplo; oferece objetos para serem manipulados com diferentes texturas e cores, tudo para atrair a atenção dos pequenos. Nas oficinas, esses acessórios saem de dentro de um livro gigante e bem colorido (que também impressiona o olhar de quem tem a visão reduzida).

A textura é um elemento muito importante na leitura sensorial (Adriana Franzin/EBC)

Além de fazer a leitura com as crianças, a autora de mais de vinte livros infantis, também orienta os pais/mães e professores a estimular o hábito entre as crianças. Segundo ela, as dicas servem tanto para crianças com deficiência quanto para as que não têm:

- atentar para os cinco sentidos: a leitura pode ser uma experiência sensorial quando se experimenta usar sons, objetos para serem tocados, aromas e sabores de dentro do livro;
- permitir que a criança “entre” na história: para isso, é preciso tirar os elementos do livro, fazendo com que ela sinta que faz parte daquele mundo imaginário;
- respeitar o tempo da criança: os bebês têm um tempo de concentração, de atenção, reduzido e não adianta forçar. A leitura tem que ser prazerosa para ambas as partes;
- criar um ambiente propício para a história: um lugar calmo, uma música de fundo, de preferência sentados no chão, sob um tapete e de bom humor;
- sempre ter um livro na mão: porque assim a criança associa aquele momento gostoso, de afeto, de atenção, de carinho dos pais ao prazer que o livro traz.

De acordo com Alessandra, também é muito importante que o adulto conheça a história e leia o livro antes: “Quem está lendo, tem que se apropriar da história porque esse sentimento de intimidade com a história é percebido pela criança”. Ela adiciona que não faz diferença se a leitura é feita à risca ou se há improvisações. “O importante é fazer com que a criança sinta que toda aquela magia está saindo das páginas do livro”, afirma.

Para “tirar” os personagens do livro, a dica é usar o que se tem em casa: “Eu sei que ninguém tem um livro gigante desses em casa. Mas você pode escolher um personagem de um livro e pegar uma meia colorida, por exemplo, para representá-lo. Esse simples recurso faz com que as crianças interajam com a história”.

Há livros que já trazem recursos impressionantes, como pop-ups ou texturas (Adriana Franzin/EBC)

A mãe do Miguel, de 1 ano e 2 meses, Mariana Pagotto, participou de uma oficina oferecida por Alessandra Roscoe no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais do Distrito Federal. A experiência a incentivou: “Lá em casa, a gente lê bastante, mas é mais uma brincadeira. Ele nunca tinha prestado atenção em uma história como fez aqui. Agora, eu fiquei com vontade de fazer um livrão desses lá em casa”.

As oficinas e as leituras fazem parte do projeto Festival de Leitura Itinerante do Uniduniler – Todas as Letras, coordenado por Alessandra Roscoe. O evento, que já teve duas edições no DF leva a leitura, com escritores conhecidos e de vários lugares do país, para creches, escolas, asilos, lugares públicos e da periferia de Brasília, tudo de graça, com o objetivo único de promover o hábito da leitura.

Fonte: http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2013/10/como-ler-para-bebes-cegos

domingo, 1 de setembro de 2013

'Sou apaixonada por ensinar', diz professora de inglês deficiente visual

Josiele Lima dribla desafios da deficiência para dar curso de formação.
Turma foi formada há seis meses e utiliza livros e material em braile.

Josiele ensina inglês a estudantes com deficiência visual (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Josiele ensina inglês a estudantes com deficiência visual (Foto: Jéssica Balbino/ G1)“I help you to study. Eu te ajudo a estudar”. É assim, no esquema de tradução, que funcionam as aulas da professora de inglês da professora Josiele de Lima, de 26 anos em Poços de Caldas (MG). Mas quem vê a jovem ensinar a língua estrangeira não imagina os obstáculos que ela teve que superar para se tornar professora.

Prematura de seis meses, ela teve a retina queimada por excesso de oxigênio ainda na incubadora e perdeu 100% da visão, mas nunca desanimou por causa da deficiência. “Estou apaixonada por ensinar”, afirma ao ser questionada sobre a profissão que assumiu há seis meses. Duas vezes por semana, ela se desloca do bairro onde vive para o Centro da cidade para dar aulas em uma turma mista e “especial”, formada apenas por deficientes visuais.

Para Josi, como é conhecida, a oportunidade de lecionar não é apenas prazerosa, como desafiante. “Eu gosto bastante, mas também acho que é um desafio e tanto passar o que sei para outras pessoas. Estou muito feliz porque o conhecimento que passo está sendo absorvido pelos alunos e o fato de ser uma turma de deficientes visuais nos coloca no mesmo nível, no entanto, eu pretendo lecionar para turmas regulares também”, pontuou.

A ideia da escola é garantir o acesso ao ensino e por isso, em parceria com a Associação de Assistência aos Deficientes Visuais (AADV), que fornece livros em braile, montou uma turma com alunos bolsistas, conforme explicou a coordenadora da instituição, Michelle Franco. “Nós queremos garantir ao acesso das pessoas ao ensino e convidamos a Josi para dar estas aulas, já que ela e os estudantes estão na mesma condição e o ensino flui até melhor, mas nossa ideia é também que ela ministre aulas para turmas de alunos videntes, como são chamados os que enxergam normalmente”, comentou.

Aprender inglês vai abrir mais portas"

As aulas
Durante as aulas, os estudantes que possuem deficiência utilizam livros em braile e os que têm baixa visão utilizam o material ampliado. As correções das lições são feitas por e-mail e a expectativa é de que eles façam um módulo por semestre.

Para quem frequenta as aulas, essa é uma oportunidade de ampliar os conhecimentos e agregar valor ao currículo, como disse o estudante João Gabriel Lopes do Val. “Aprender inglês vai abrir mais portas na minha vida. Vou ter uma vantagem no mercado de trabalho para quem não fala inglês”, disse.

Quem também acredita nisso é a doceira Giane Cancian, de 38 anos. Ela confessa que antes não tinha tido vontade de cursar inglês. “Eu tinha uma resistência muito grande por causa do inglês da escola regular, mas agora, com uma turma específica, estou me sentindo muito a vontade e aprendendo rápido  também”, pontuou.

Aulas acontecem duas vezes por semana em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Aulas acontecem duas vezes por semana em Poços de Caldas (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Trajetória
As oportunidades nem sempre surgiram facilmente na vida de Josiele. Na infância, ela frequentou a AADV para ser alfabetizada em braile e a partir dos sete anos, entrou na escola regular. Em seguida, conseguiu uma bolsa de estudos de 100% na universidade, onde fez Letras. Para isso, precisava viajar diariamente cerca de 40 km, de Poços de Caldas a
São João da Boa Vista (SP), onde fica o campus.

“Era um pouco mais complicado do que hoje porque não tínhamos tanta tecnologia. A tecnologia ajuda muito quem tem deficiência visual. Mas, o mais difícil mesmo é quebrar a barreira do preconceito, já que muitas pessoas acham que os deficientes não são capazes, mas nós somos”, pontuou.

Prova disso é que a contrapartida para estudar na universidade era integrar um projeto de inclusão, onde ministrava aulas de braile e computação para deficientes visuais e também para pessoas que enxergam.

Atualmente, ela mora com os pais, vai até o trabalho de ônibus e pratica diferentes atividades, além de se preparar para cursar pós-graduação em educação especial.  “Eu costumo brincar que a única coisa que nós, deficientes visuais, não podemos fazer é dirigir, o restante, tudo é possível”, disse.

Por isso, Josi incentiva as pessoas a ‘enxergarem’ para além dos preconceitos e a lutarem pelo que desejam. “Se eu puder dizer algo para alguém, diria para que não fiquem trancafiados em casa, valorizando apenas os problemas e achando que a vida acabou. Tem que dar a volta por cima e ir à luta”, finalizou.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2013/09/sou-apaixonada-por-ensinar-diz-professora-de-ingles-deficiente-visual.html

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Brasileiro deficiente visual disputa torneio de games contra profissionais

O campeonato independente Batalha dos Games, que acontece entre os dias 24 e 25 de agosto em São Paulo, foi motivo o suficiente para tirar Gabriel Neves Poli de casa. Viciado em jogos eletrônicos desde criança, o jovem de 22 anos tem, mesmo com deficiência visual, habilidade suficiente para disputar partidas contra jogadores profissionais.

Batalha dos Games reúne campeonatos de League of Legends e Call Of Duty: Black Ops 2. Jogadores profissionais vieram ao evento (Foto: Pedro Zambarda/TechTudo) (Foto: Batalha dos Games reúne campeonatos de League of Legends e Call Of Duty: Black Ops 2. Jogadores profissionais vieram ao evento (Foto: Pedro Zambarda/TechTudo))Batalha dos Games reúne campeonatos de League of Legends e Call Of Duty: Black Ops 2. Jogadores profissionais vieram ao evento (Foto: Pedro Zambarda/TechTudo)

Sempre acompanhado pelo irmão João, Gabriel, que perdeu a visão aos 2 anos por erro médico, gosta muito de jogos de luta e está dando o que falar no torneio de Tekken Tag Tournament 2, um dos títulos disputados no evento.Gabriel gosta de games de luta e consegue jogar muito bem mesmo sendo deficiente físico (Foto: Guilherme Damiani)

Gabriel gosta de games de luta e consegue jogar
muito bem mesmo sendo deficiente físico (Foto:
Guilherme Damiani)

Para enfrentar seus oponentes, Gabriel explicou como ele consegue enfrentar - e vencer - mesmo sem enxergar: “Pelo som e a vibração do controle”. Segundo seu relato, como é jogador de Tekken desde os primeiros títulos do game, ele acha fácil executar combinações de golpes quando não é atingido pelos seus oponentes.

Antes de jogar Tekken, entretanto, Gabriel havia sido impedido de jogar o famoso título Mortal Kombat em um torneio fora da Batalha dos Games. Como explicou, outros jogadores tiveram preconceito de vê-lo participar do torneio, na ocasião.

Fonte: http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2013/08/brasileiro-deficiente-visual-disputa-torneio-de-games-contra-profissionais.html

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Deficiente visual recebe computador adaptado

O equipamento irá auxiliar no desenvolvimento de Lucas dos Santos

Após seis anos de espera o deficiente visual Lucas dos Santos, 14 anos, conseguiu o tão desejado computador para realizar suas atividades e auxiliar no seu aprendizado. Sua mãe, Janaína dos Santos, procurou o deficiente visual Alcemar Lemos que com a ajuda de Rose Stecker realizaram uma parceria. Eles visitaram o comércio de Sobradinho e conseguiram doações para serem sorteadas em uma rifa.

Com o dinheiro arrecado foi possível adquirir um computador com dois programas de voz que irão possibilitar ao adolescente sua inclusão digital e seu desenvolvimento. Foram compradas ainda uma cadeira, rack e impressora multifuncional. Segundo Alcemar essa é uma conquista depois de tanto tempo de luta. Rose agradeceu a todas as pessoas que ajudaram de uma forma ou de outra para tornar o sonho em realidade. “Nosso objetivo é ajudar as pessoas e auxiliar no que for possível”, disse Rose.

ROBERTO TONELOTTO

redacao@gazetadaserra.com.br

Foto: Gazeta da Serra/Roberto Tonelotto

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mulheres cegas aprendem a se maquiar sozinhas no Amapá

Deficientes visuais também querem aprender dicas de etiqueta.Bernadete Isacksson, 40 anos, é professora de educação especial (Foto: Maiara Pires/G1)
Oficina de maquiagem encerrou neste sábado (10), no Senac-AP.

Bernadete Isacksson, 40 anos, é professora de educação especial (Foto: Maiara Pires/G1)

Bernadete Isacksson, 40 anos, é professora de educação especial. Ela aprendeu neste sábado (10) a se maquiar sozinha, o que não fazia há 28 anos por conta da deficiência visual adquirida. Ela participou de um projeto piloto do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-AP) em parceria com a Associação de Cegos e Amblíopes do Amapá (Acaap).

"O que eu sabia era só passar batom e o pó compacto", conta a educadora. "Agora já sei passar blush, sombra e lápis de olho, sendo que o lápis ainda é o mais difícil", relata, sobre a experiência que para ela "foi muito boa".

Para escolher as cores, os estojos estavam identificados em linguagem braile. Bernadete diz que teve dificuldades em passar o lápis de olho por conta da coordenação motora "que ainda está muito devagar". "Eu gosto de cores claras", disse a professora.

"E também senti como tivesse uma 'areiazinha' dentro dos olhos", lembra. "Mas acho que isso acontece com outras mulheres. Mesmo assim, tudo é uma questão de prática, treinamento. Com certeza daqui a pouco estarei profissional", brinca.

Mulheres cegas e amblíopes durante oficina no Senac-AP (Foto: Mulheres cegas e amblíopes durante oficina no Senac (Foto: Maiara Pires/G1)Maiara Pires/G1)

A professora de educação especial é amblíope, ou seja, não é totalmente cega, mas possui baixa visão. Ela conta que aos 12 anos de idade começou a fazer consultas oftalmológicas em Macapá (AP). E aos 20 anos foi diagnosticada em Belém (PA) com retinose pigmentar, doença hereditária que causa degeneração da retina, responsável pela formação das imagens visuais. "Tenho um irmão que nasceu cego. Somos os únicos casos na família", acrescenta.

Depois que adquiriu a doença, Bernadete Isacksson conta que passou 10 anos sem estudar. "Tive que parar porque não enxergava mais nada no quadro", diz, sobre o curso de Magistério que fazia. "Mas retornei depois de dois anos e não parei mais. Hoje, estou me formando em Pedagogia", conta, acrescentando que teve de se adaptar numa turma de ouvintes utilizando recursos para ampliação das letras para pode enxergar melhor, além da linguagem em braile.

Oficina
A iniciativa do projeto piloto é da Associação de Cegos e Amblíopes do Amapá, a partir da vontade das mulheres associadas de aprender a se maquiar sozinha, segundo o presidente da entidade, João Pereira. "Apresentamos essa demanda ao Senac que colocou seus instrutores à disposição para ministrar esta oficina de maquiagem a elas", informou Pereira.

Foram dois sábados de oficina. As mulheres cegas e amblíopes do Amapá também já manifestaram interesse em aprender como se comportar à mesa e como se vestir bem. "Já estamos conversando com a instituição para saber da viabilidade de mais destas oficinas", disse o presidente da associação.

A coordenadora técnico-pedagógica do Senac-AP, Obde Gadelha, disse que o trabalho valeu como experiência para a própria instituição saber como aprimorar o atendimento às pessoas com deficiência. "Já ministramos cursos para pessoas com deficiência auditiva trabalhando a inclusão social delas. Para os deficientes visuais foi uma novidade que experimentamos até mesmo para aprimorar esse atendimento", ressaltou.

Fonte: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2013/08/mulheres-cegas-aprendem-se-maquiar-sozinhas-no-amapa.html

Laboratório quer aproximar deficientes visuais da tecnologia

Curso de informática básica será ministrado a partir do mês de setembro.
Teclado e impressora são em braile e facilitam o acesso dos deficientes
.

 Aproximar deficientes visuais do mundo tecnológico é o desafio de um laboratório montado em uma instituição de ensino superior em Varginha (MG) e o projeto tem dado certo. A assistente social Caroline Nery Figueiras conta que o equipamento já está pronto e o curso será feito em parceria com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Varginha.

“A primeira turma será montada a partir de um banco de dados do próprio conselho, mas esta necessidade vem da grande demanda existente nas empresas, que precisam contratar pessoas com deficiência, mas nem sempre estas pessoas estão capacitadas. Por isso, o curso foi criado. Inicialmente vamos ministrar aulas de informática básica”, disse.

Na escola, onde todo o prédio e o próprio laboratório são equipados e adaptados para receber deficientes, os teclados dos computadores em que as aulas serão ministradas também são diferenciados. O teclado tem dígitos em braile e emite sinais sonoros para que o deficiente possa saber o que está sendo operado no momento. Além disso, a impressora também imprime em braile.

“Os programas também são específicos, então podemos fazer e operar todos os programas que as pessoas que enxergam podem. O equipamento lê tudo que está na área de trabalho, no e-mail, enfim, nos ajuda bastante, sem falar que põem ser instalados em casa também”, destacou o estudante Adan Brandão Papini, que é deficiente visual.

Serviço – As inscrições para as turmas estão abertas e podem ser feitas na sede da escola, localizada a Rua Maria Benedita, 75, Centro. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (35) 3219-5150.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2013/08/laboratorio-quer-aproximar-deficientes-visuais-da-tecnologia.html

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Juíz manda município empossar deficiente

T.N. de M. é deficiente visual e foi aprovada em concurso público para exercer o cargo de professora de educação infantil

O juiz titular da 5ª vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande, Fernando Paes de Campos, julgou parcialmente procedente a ação declaratória que T.N. de M. move contra o Município de Campo Grande.

T.N. de M. é deficiente visual e foi aprovada em concurso público para exercer o cargo de professora de educação infantil em Campo Grande. Quando foi convocada para se submeter à equipe multiprofissional, passou por uma avaliação de capacidade física para o cargo, a qual foi considerada inapta.

A professora alega que, em recurso administrativo, a decisão foi revista, sendo nomeada para o cargo de professora. Com isso, ela foi notificada para comparecer à Escola de Governo do Município para receber as orientações sobre o processo de nomeação e posse, mas foi novamente avaliada por uma junta médica e declarada inapta para o cargo. Assim, T.N. de M. teve novamente seu decreto de nomeação anulado.

Diante destes fatos, a autora pediu a anulação do parecer que a considera inapta para o exercício de sua função e, como consequência, solicitou a determinação de sua posse para o cargo que prestou concurso e foi nomeada. Por fim, pleiteou a compensação financeira por danos morais.

O juiz determinou que o município dê à autora a posse no cargo para o qual foi aprovada em concurso e nomeada por decreto, mas indeferiu o pedido de indenização por danos morais.

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